Anselmo da Cantuária foi um influente teólogo e filósofo italiano da Idade Média, descendente da Normandia. Ele foi Arcebisbo da Cantuária de 1903 a 1109 e é considerado o fundador do Escolasticismo e criador do argumento ontológico da existência de Deus.
Adotou um princípio teológico que foi fundamental para o surgimento da Escolástica: fides quarens intelectum "a fé em busca da inteligência".
Em sua obra Monologion, Anselmo apresenta sua visão de Deus, em que mostra que a essência suprema existe em todas as coisas e tudo depende dela.
Segundo o próprio Anselmo, ele escreveu Proslogion devido ao seu desagravo à argumentação anterior, feita em Monologion, pois agora necessita de um único argumento, e não vários, que tenha uma força racional que dispense qualquer outro. Apresenta, assim, um ser maior do que o qual nada pode ser pensado. Assim, a busca por um argumento para provar a existência de Deus, e de que existe um ser do qual não é possível pensar maior, e que este ser não existe apenas na inteligência, mas na realidade, tudo isso é retratado em Proslógio.
A obra é como uma grande oração, e o autor dirige suas palavras a Deus, inicialmente pedindo a própria “inteligência da fé” para que pudesse encontrar a verdade, e em seguida, expressa-se ora como em uma doxologia, ora com indagações a Deus.
Anselmo inicia, então, seu principal argumento, de que Deus é “alguma coisa maior do que a qual nada pode ser pensado” e que este não pode existir apenas no intelecto, mas também na realidade “o que é ser maior”, sendo tão verdadeiro “que nem se pode pensar que não exista”, nem que este não exista, daí a insensatez da pensamento do ateu. Ele dá o exemplo de um pintor, que já possui a ideia do que necessita, sem, no entanto, ter pintado ainda.
Em seguida, o autor passará a desvendar, a partir deste argumento principal, os atributos de Deus. Para o autor, Deus é aquele “pelo qual existe tudo o que é bom”, sendo também sensível mesmo sem ter corpo. Ele também é onipotente, mesmo não podendo tudo, pois “tanto mais é verdadeiramente omnipotente, quanto não podes nada por impotência e nada pode contra [Deus]”. Neste momento ele busca resolver o problema da onipotência de Deus diante das coisas que Deus não pode fazer.
Também, busca resolver o problema da bondade de Deus, diante da punição aos homens, concluindo que Deus é inteiramente bom, pois “quem é bom para com os bons e os maus é melhor do que aquele que é somente bom para com os bons. E quem é bom punindo e perdoando os maus é melhor do que aquele que o é apenas punindo” e “quem retribui os méritos dos bons e dos maus é, efetivamente, mais justo do que aquele que retribui apenas os méritos dos bons”.
Para Anselmo, Deus é a própria vida pois vive por si mesmo, assim, “tudo o que está enclausurado pelo lugar ou pelo tempo é menor do que aquilo que nenhuma lei de lugar ou de tempo constrange”, mas a Deus nada constrange.
Diante dos atributos demonstrados pelo autor de Deus, ele conclui afirmando que o que é dito de um, é para toda a Trindade: “aquilo que somos singularmente, Deus é na Trindade”. E finalmente, mostra a beleza de Deus, apontando para a soma da imensidão das belezas individuais: se os bens individuais dos atributos de Deus são bons, quanto mais o conjunto, em Deus.
A obra, no entanto, é muito difícil de ser lida. Embora curta, faz-se necessária uma leitura muito lenta, e por vezes, por que não tentar desenhar o que o autor diz? Ele diz muito em poucas palavras e de maneiras muito conceituais.
O autor, nesta obra, busca com seu argumento ontológico “provar” a existência de Deus sem utilizar sua Revelação. Embora com bons argumentos, que no futuro foram combatidos por Tomás de Aquino e Kant, cremos que o máximo que chegaremos da compreensão de Deus sem a Revelação e a este gnosticismo confuso retratado na obra. Na Revelação, Deus é imenso, mas pode ser conhecido naquilo em que Ele revela.