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    Os Bichos -

    Manoel Herzog

    Realejo
    2012
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.7
    3 avaliações
    Leram7Lendo1Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados6Avaliaram3

    O ditado diz que não se deve discutir política e religião. Mas “Os Bichos”, do cubatense Manoel Herzog, aborda esses temas de forma inteligente, irônica, e crítica, que podem e merecem gerar reflexões. É a chance do leitor adentrar a um universo envolvente, que ainda mistura tarô, natureza, a monarquia francesa, num caldeirão que mira a situação política brasileira. Na obra alegórica, Herzog traça um paralelo entre o urubu, ave que nasce branca e vai escurecendo conforme se alimenta de sujeiras, e o ser humano, que chega à vida puro, mas se contamina com os males da sociedade. A trama acompanha um jovem idealista, que se apaixona pela filha de um político corrupto e acaba fazendo concessões para se aproximar da amada. “Tinha iniciado uma série de contos escritos em primeira pessoa com as vozes desses animais, como um cachorro que viveu comigo durante 16 anos. Tem 10 animais que permeiam a narrativa do livro. E a história se desenvolve por um narrador onisciente, em terceira pessoa, e vai nessas duas linhas - seguem em paralelo e se encontram no final”, explica o autor. "As alegorias são uma forma direta de crítica dos costumes e serviram de base para o humanismo avançar um milímetro na direção da vida do espírito, evocada por grandes como Montaigne e Leopardi. Neste ‘Os Bichos’, de Manoel Herzog, temos um tipo mais sofisticado de alegoria, onde a ironia sutil é capaz de forjar um pensamento denso, que se alimenta de uma rica simbologia”, define o conterrâneo e celebrado escritor Marcelo Ariel, na contracapa do livro.

    Resenhas (1)Ver mais
    Literatura de Cabeça picture
    Literatura de Cabeça04/07/2012Resenhou um livro
    0

    Eu não sou cachorro não

    "A república é uma invenção amaldiçoada, e a democracia uma farsa“, diz Carlos Mello, personagem de Manoel Herzog em dado ponto de Os Bichos (Realejo, 2012). Palavras que aplicadas em meio ao tema do livro evidenciam a maneira reflexiva que o autor aborda à política de nossos dias. Sarcástica e crítica, a narrativa tenciona fazer uma alegoria da sociedade usando o mesmo caráter dos textos de Akutagawa ou Borges e consegue expor o fracasso político e social de nossos dias. Na trama acompanharemos Luís Theófilo, um jovem idealista e sua paixão por Agda, filha de um político corrupto, adversário de Luís, que acaba concedendo certas trivialidades para se aproximar da amada. Ambientada em uma cidade fictícia, mas que aborda a Baixada Santista como meio exterior do cenário, citando até pessoas da região como personagens pitorescos da história. Por sinal, à medida que a trama avança, esta se revela cada vez mais pungente e criativa, fazendo jus àquelas figuras bizarras dos animais pelas quais acabamos por nos afeiçoar. São 10 'bichos' desenvolvidos na narrativa em terceira pessoa, cada qual vertido a cenas que questionam a condição humana em tolerar as mazelas de nossa sociedade atual. Os personagens humanos são como elementos justapostos e intercalados com as vozes desses animais dando a ideia da escrita criativa que Herzog compôs. Herzog acerta o tom da crítica com uma sagacidade tamanha, que direciona sutilmente suas alegorias à ironia e à densidade naturistas, com cenas engraçadas e justificativas de atitudes abjetas humanas com as posturas diletantes dos animais. O projeto foi concebido após uma intensa pesquisa, indo mesmo a França para compor o contexto monárquico-místico de sua história, desenvolvida para causar, em especial, por aferir a imobilidade social e a miséria de nossos tempos como fosse determinada pelo biológico, nada sendo relacionado com o exposto social. Veja mais no Literatura de Cabeça: http://migre.me/aOCon

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    • 1 estrelas0%
    Manoel Herzog profile picture

    Manoel Herzog

    Manoel Herzog nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, trabalhou na indústria química e formou-se em direito. Estreou na literatura em 1987 com os poemas de Brincadeira Surrealista. Entre outros livros, é autor dos romances Os Bichos (2012), Companhia Brasileira de Alquimia (2013), O Evangelista (2015) e o livro de poesia A Comédia de Alissia Bloom (2014), terceiro lugar no prêmio Jabuti.

    13 Livros
    6 Seguidores

    Manoel Herzog