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    Norte -

    Louis-Ferdinand Céline

    Nova Fronteira
    1985
    423 páginas
    14h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    15 avaliações
    Leram26Lendo0Querem60Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos1Desejados60Avaliaram15

    Espírito atormentado e contraditório, Louis-Ferdinand Céline é um desses escritores insubmissos que não perdoam à realidade e aos homens e sua estupidez fundamental e sua falta de sentido. Seus livros revolucionaram a literatura francesa ao introduzirem a frase curta e truncada, não raro incoerente, recurso expressivo que procurava reproduzir a fala popular. Em Norte, romance fortemente autobiográfico, o autor narra parte de uma jornada inglória que empreendeu através de uma Alemanha em chamas, nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Espécie de ópera-bufa que mescla o patético e o burlesco, este é um dos romances mais característicos de um escritor que, admirado por uns, odiado por outros, decididamente não vê com bons olhos o que os homens fazem da vida e de si mesmos.

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    erased picture
    erased15/10/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Clínico e cínico: a alta periculosidade necessária de Céline

    Não é fácil ler os livros de Celine, o autor tem opiniões fortes sobre quase tudo. Tudo o que li dele é autobiográfico, então é preciso remeter às leituras anteriores para tentar entender o que ele quer transmitir. Norte é a segunda parte da trilogia que ainda inclui De Castelo em Castelo e Rigodon (ou Rigodão, tipo de dança típica europeia, livro sem tradução em português). Conta a fuga do autor para a Alemanha após expulsão da França por colaborar com o regime nazista e publicar panfletos antissionistas. Sou leitor de Céline apesar de tudo isso e por causa de tudo isso. A sua personalidade ao mesmo tempo que causa asco é fascinante porque em seus livros sabe se defender atacando seus detratores por tudo o que fizeram ele passar. Se em Morte a crédito seu alter ego Ferdinand Destouches vive peripécias infanto-juvenis, experiências homoeróticas da adolescência, seus primeiros contatos com a medicina, Viagem ao fim da Noite descreve as viagens pelo mundo, os erros das guerras e da sociedade, a trilogia da fuga mostra um autor amargurado com a França e com as pessoas, descontando nos imigrantes e nas minorias étnicas e sexuais as frustrações próprias. Se colaborou com o fascismo ele tinha que pagar mesmo, o preço foi caro, o exílio, a perda da casa e dos bens, mas isso foi terrível para ele e para sua família. Na Alemanha com a esposa, o gato e um colega ator fogem de ataques de bombas em Berlim e vão se abrigar em hotéis literalmente decadentes bombardeados, com pouco dinheiro, pouca alimentação, saúde lastimável, Destouches trabalha como médico e vai parar numa propriedade rural se juntando a um grupo bastante heterogêneo que inclui oficiais da SS, presos políticos, ciganos, gente da antiga aristocracia alemã, pastores, russos. A atmosfera é de história de detetive, mas o que menos importa é o desfecho e quem matou quem, todos sabem quem matou e porque: a guerra deixa todos sonhando, vivendo um pesadelo. Céline foge, evita pessoas - ao seu modo de ver nocivas - na França e encontra na Alemanha gente tão ruim quanto. Ou pior. O melhor do livro não é a história em si, que ele pode ter vivido ou não (é literatura, é ficção), mas as opiniões acidas do autor sobre as pessoas, as escolhas que fazemos em relação à política, o erro da direita, da esquerda, do centro, dos poderosos que decidem guerras sentados tranquilos enquanto pessoas se massacram lá fora. Não confunda, Celine não é pacifista como Tolstói, tem pensamentos muito perigosos, que só um leitor ou uma leitora consciente(s) precisa(m) entender antes de iniciar a jornada ao mundo cinza desse médico cirurgião das palavras cuja vida permitiu extrair tantas histórias complexas. Ótima leitura

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 15
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas7%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas20%
    • 1 estrelas0%
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    Louis-Ferdinand Destouches

    Nascido em 1894 em Courbevoie, periferia de Paris, no seio de uma família de classe média baixa, Céline recebe uma instrução escolar básica antes de incorporar o exército francês em 1912, tendo servido no 12º regimento de cuirassiers, durante a primeira Guerra Mundial. Por ter levado a cabo uma missão de reconhecimento arriscada no setor de Ypres (Flandres Ocidental), no curso da qual foi ferido com gravidade no braço direito e sofreu ferimentos na cabeça que lhe deixaram um tinnitus recorrente, foi condecorado com a Medalha militar, e posteriormente com a Cruz de guerra. Declarado inválido de guerra e enviado para Londres, Céline casou e divorciou-se antes do fim da guerra. Em 1916 esteve nos Camarões a trabalhar numa empresa Francesa de madeiras, tendo regressado em 1917. Nos 3 anos seguintes Céline trabalha na Bretanha com a Fundação Rockefeller recolhendo informação sobre a Tuberculose eqnuanto completava os seus estudos secundários em Rennes. Em 1919 casa-se com Edith Follet, filha do director da escola de medicina de Rennes. Em 1920 nasce a sua filha Colette e dois anos depois Céline recebe a licenciatura em Medicina tendo por tese um trabalho sobre Ignaz Philipp Semmelweis. Em 1925 abandona definitivamente a sua família e sob a égide da Liga das Nações viaja pela Suíça, Inglaterra, Camarões, Canadá, Estados Unidos e Cuba. Em 1928 instala um consultório privado em Montmartre especializando-se em obstetricia. Em 1931 abandona a clínica privada por um cargo público de dispensário. Em 1932 completa Voyage au bout de la nuit (Viagem ao fundo da noite) e por pouco não recebeu o prémio Goncourt tendo contudo recebido posteriormente o Prêmio Renaudot.

    20 Livros
    50 Seguidores

    Louis-Ferdinand Destouches