Respiração Artificial (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #12) -

    Ricardo Piglia

    Folha de S.Paulo
    2012
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788579490583
    Português Brasileiro

    "Respiração Artificial" é o mais importante livro de Ricardo Piglia, por sua vez o mais relevante entre os autores vivos da Argentina hoje. Trata-se de um romance polifônico que se passa em diferentes tempos da história. O jovem autor Emilio Renzi dialoga, por meio de cartas, com o tio, Marcelo Maggi, um professor de história que vive na província e se dedica a estudar documentos de um intelectual do século 19, período de fervilhante debate político sobre os rumos do país. O livro revela Piglia como um autor muito vinculado à tradição literária argentina, sobre a qual possui estudos e dá aulas, tanto em Buenos Aires como no exterior. Todos os romances do argentino têm a característica de estabelecer um intercâmbio entre a contemporaneidade da Argentina e as ideias de intelectuais do passado. Renzi, por sua vez, é uma espécie de "alter ego" não assumido do autor, que aparece em outras obras, como o excelente "Alvo Noturno", seu romance mais recente.

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    Izabel Santa Cruz Fontes15/03/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É um livro feito de digressões, de grandes parênteses. Discursos que se engolem, se misturam, se confundem. Pequenas narrativas que parecem não chegar a lugar nenhum. E talvez não cheguem mesmo. Simplesmente porque não precisam chegar. O interesse dos pequenos relatos, dos fragmentos de cartas, está totalmente dissociado do conceito de utilidade narrativa, de construção de uma história convencional, onde os fatos se entrelaçam e constroem um quadro maior. Piglia exerce com maestria a polifonia. Aqui a digressão é também formal e é preciso uma leitura atenta aos pequenos detalhes que separam uma voz de outra, já que os limites não são definidos. Aqui o ponto convergente é a Argentina: Literatura, costumes, herois nacionais, eventos históricos. A ditadura e as suas consequências. É justamente ela quem preenche as entrelinhas e parece motivar as lacunas dos relatos, a aparente falta de propósito da vida dos personagens, a confusão de memórias, as pequenas obsessões sem nenhum propósito. No fundo, me parece um livro sobre pensamentos soltos. Sobre gente que não sabe muito bem por onde ir, tampouco onde quer chegar, e por isso se apega a qualquer caminho.

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