Acabei descobrindo esse livro de forma inusitada sem pretensão alguma, isso ocorreu após ver uma curta, “Dias ateus” de João Pedro Faro. Me senti curiosa e instigada a ler a obra e que bom, pois este livro é maravilhoso.
Quando peguei Manual de Zoofilia para ler, a primeira coisa que me chamou atenção foi o título. Ele causa impacto imediato e até um certo desconforto. Mas, ao longo da leitura, fica claro que a intenção de Wilson Bueno não é chocar por chocar. O título funciona como um convite ao estranhamento, como se o autor já avisasse que essa não vai ser uma leitura comum.
O livro não segue uma narrativa tradicional. Não há começo, meio e fim bem definidos. O que existe são fragmentos, imagens, cenas e atmosferas. Às vezes, eu me sentia mais observando um sonho do que lendo uma história. Tudo é muito simbólico, muito sensorial. Humanos, animais e figuras quase míticas se misturam de um jeito que parece estranho, mas ao mesmo tempo curioso.
O que mais me marcou foi a sensação de desconforto misturada com fascínio. Não é uma leitura confortável, nem feita para relaxar. É um livro que provoca, que deixa perguntas no ar, que não explica tudo. Muitas vezes eu terminei um trecho sem entender exatamente o que ele “queria dizer”, mas sentindo que algo tinha sido mexido dentro de mim.
A linguagem é muito poética, cheia de imagens fortes e inesperadas. Não é um livro para ser lido com pressa. Ele exige atenção, releitura e, principalmente, disposição para aceitar que nem tudo vai fazer sentido de forma lógica. Esse livro causa uma reflexão espontânea, uma curiosidade provocante que deve ser explorada.
Wilson Bueno usa o termo “zoofilia” como provocação estética, ele quer causar estranhamento para fazer o leitor refletir sobre os instintos humanos, os desejos, a linguagem e a animalidade que existe dentro de nós. É uma obra que não quer agradar, quer provocar incômodo e reflexão.
Não é um livro para todo mundo, mas é exatamente por isso que ele é interessante. Ele incomoda, confunde e, ao mesmo tempo, instiga.