Garimpos do Mato Grosso - Coleção Saraiva - Vol. 78

    Hermano Ribeiro da Silva

    Edições Saraiva
    1954
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Não obstante estar desprovida de qualquer intenção chauvinista, de nativismo fanático e antipático, a Coleção Saraiva tem expedido os seus maiores esforços no sentido de prestigiar o que é brasileiro. Visando tão nobre objetivo é que tem lançado dezenas de autores patrícios que em seus livros tratam geralmente de assuntos nacionais. Sente a Coleção Saraiva com freqüência a necessidade de por em prática esse ideal de brasilidade, principalmente porque são patentes, entre nós, os elementos dissolventes, desnacionalizadores. Por meio de filmes, de revistas, de programas radiofônicos, a obsessão do estrangeiro se espalha entre nós, de modo especial, no setor das massas, que não dispõem de uma formação que lhes permita resistir às quimeras importadas...Tem, portanto, antes de tudo a Coleção Saraiva uma função educativa, de resistência às forças da desagregação, pois sabe qualquer sociólogo que é nociva a "descaracterização" de uma cultura.

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    Isotilia Melo07/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Diamantes do Barra do Garças

    Este livro é do mesmo autor de "Nos Sertões do Araguaia". Trata-se de um jornalista paulistano, Hermano Ribeiro da Silva, que reúne um grupo de amigos e sai para explorar o interior do Brasil na década de 1930. Esta obra descreve a expedição para os garimpos de diamantes do Rio das Garças, Mato Grosso, que naquela época estava no auge. A primeira tentativa é fracassada, pois um dos companheiros morre de malária e o grupo decide voltar. Na segunda tentativa eles percorrem um caminho muito longo até conseguirem garimpar de fato. O autor é muito realista. Ele descreve tudo com olhar clínico e imparcial; desde os conflitos e a opressão dos latifundiários, até as superstições, crenças e esperanças dos garimpeiros, na sua maioria analfabetos. Com esta leitura, eu aprendi que o Brasil já teve muita navegação fluvial. Eles viajam por muitos lugares com companhias fluviais e em algum momento toda essa infraestrutura acabou. Com esta leitura também aprendi muito sobre a Revolução de 1924, cujo ápice do conflito ocorreu em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O livro menciona muitas vezes o encontro com sobreviventes da revolução. Como livro foi escrito em 1930, ele subentende que todos os leitores sabem do que se tratava. Eu tive que pesquisar no Google e achei um momento muito interessante da nossa História. Também aprendi que o maior diamante retirado no Rio das Garças foi o "Jalmeida". Foi um pouco frustrante, pois eu esperava algo bem maior e mais puro. O autor narra que encontraram uma sertaneja agonizando por causa de um aborto mal feito. Ele aproveita a oportunidade para dizer que essa prática é bem comum no Sertão e não se restringe a sociedade industrializada, como a maioria das pessoas acredita. Além disso, ele defende abertamente o aborto. Isso me surpreendeu bastante. Fui criada com muitas histórias de garimpos, mas somente após a leitura deste livro, eu pude ter um entendimento amplo desse processo e como a garimpo afetou nossa sociedade e nossa História.

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