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    Ilusões do Mundo -

    Cecília Meireles

    Nova Fronteira
    1982
    131 páginas
    4h 22m
    ISBN-6: 760196
    Português Brasileiro
    3.8
    56 avaliações
    Leram115Lendo13Querem126Relendo0Abandonos6Resenhas6
    Favoritos1Desejados126Avaliaram56

    Das vozes mais elevadas da lírica em língua portuguesa, Cecília Meireles tem sua vasta obras caracterizada tanto por uma sensível integração na modernidade quanto por um atento e lúcido convívio com uam ampla tradição literária. assim, ao realizarem sua singular apreensão das realidades vividas pelo espírito humano, os textos dela marcam-se por uma expressiva riqueza de recursos estilisticos e formais. As crônicas que compõem este volume são mometnos privilegiados em que a autora harmoniza em narrativas curtas os elementos constitutivos de seu universo poético de uma forma exemplar dentro desse gênero tão finamente desenvolvido na literatura brasileira.

    Resenhas (6)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich30/01/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Imagens de Cecília

    Anunciei que estava lendo Cecília. Súbito, o espanto: Cecília? A admiração tem um motivo. Eu não costumo ler poesia e não se pensa que a Cecília tenha escrito outra coisa na vida que não fosse poesia. Logo, eu devia estar lendo poesia. No entanto, “Ilusões do Mundo” é um livro de crônicas. Cecília devia ser uma cronista bissexta, embora não tão bissexto quanto o Braga era poeta. As crônicas reunidas neste livro, no entanto, foram feitas com regularidade na década de 60. E com uma diferença fundamental: foram escritas para o rádio, não para jornais. Eis aí uma característica que pode fazer toda a diferença, e talvez auxilie a explicar o tipo de texto feito por Cecília neste livro. Na prática, não há nada neles que permita a alguém dizer que foram escritos para o rádio. Em jornalismo, o texto para o rádio é bastante diferente do texto impresso. Pois no caso da Cecília não parece haver grande diferença. A singularidade pode estar na riqueza das imagens criadas por Cecília. De fato, ao escrever um texto que não será lido, mas ouvido, sem direito a imagem alguma, é de se imaginar que estimule a imaginação do ouvinte. Cecília faz isso, e com bastante naturalidade. Grande observadora, Cecília relata episódios, cenários e impressões com uma espantosa precisão, o que inclusive exige que sejam saboreados com mais vagar durante a leitura. Não vou mentir: nem sempre a leitura é fácil. Mas em todas as outras crônicas, a riqueza do texto de Cecília e, principalmente, a ternura e a delicadeza da sua personalidade, são tão visíveis que muito dificilmente alguém não se apaixonaria pela escritora. São textos de alguma namorada nossa, bastante sensível e atenta às miudezas dessa vida. Vez ou outra (como em “A Quinhentos Metros”), a cronista bissexta se sai tão bem que ninguém desconfiaria se ao final do texto houvesse a assinatura de Rubem Braga. São, em todos os casos, crônicas bastante líricas. E ressalto outra vez as imagens evocadas, geralmente a partir da sua própria memória, e muitas vezes envoltas num ambiente de sonho. Enfim: um livro bonito. Uma poetisa que precisa ter suas crônicas conhecidas.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 56
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    Cecília Benevides de Carvalho Meireles profile picture

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles

    Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.

    108 Livros
    941 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles