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    A caverna -

    José Saramago

    Companhia das Letras
    2000
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-10: 853590073X
    Português
    4.2
    1964 avaliações
    Leram3570Lendo237Querem3101Relendo7Abandonos141Resenhas121
    Favoritos262Desejados3101Avaliaram1964

    A caverna é uma história de gente simples: um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano. Esses personagens circulam pelo Centro, um prédio de cinqüênta andares onde os moradores usam crachá, são vigiados por câmeras de vídeos e não podem abrir as janelas de casa. Monumento do consumo, o Centro possui um shopping center com lojas, cinemas e teatros, um bingo, um cassino, jardins suspensos, um hospital e até uma muralha da china, tudo asséptico e sufocante, como convém a um símbolo da modernidade. É no Centro que trabalha o guarda Marçal. É para o Centro que seu sogro, o oleiro Cipriano, vendia a louça ordinária de barro que fabricava artesanalmente na aldeota em que vivia - agora, os clientes do Centro preferem pratos e jarros de plástico. Filho e neto de oleiros, sem outros ofício na vida, Cipriano perde a razão de viver. E a convite do genro, muda-se para o Centro, essa verdadeira gruta onde milhares de pessoas se divertem, comem e trabalham sem verem a luz do sol e lua. Enquanto isso embaixo dos diversos subsolos de estacionamentos e frigoríficos, os funcionários do Centro descobrem uma estranha caverna. Driblando a vigilância, Cipriano consegue entrar lá dentro. O que descobre é aterrador. O oleiro, a filha e o genro retornam à aldeia: são salvos pela lucidez num mundo que se sustenta por sua própria cegueira.

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    Resenhas (121)Ver mais
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    Fran Kotipelto09/03/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo." José Saramago

    "Quando digo que as pessoas que estão na caverna somos todos nós é porque damos muito mais atenção às imagens do que àquilo que a realidade é. Estamos lá dentro olhando uma parede, vendo sombras e acreditando que elas são reais." Mais uma vez executo uma tarefa árdua,de extrema reponsabilidade,e consequentemente quando se tem uma "missão" desse nível, é impossível não pensar várias e várias vezes afim de escolher as palavras certas,assim como Saramago escolhe uma a uma as palavras que vão compor suas obras magistrais. Em "A Caverna",José Saramago disseca, através da história de pessoas comuns,um oleiro, um guarda, duas mulheres e um vira-lata chamado "Achado",o impacto destruidor da nova economia sobre as economias tradicionais e locais. Esses personagens circulam pelo Centro, um gigantesco monumento do consumo onde os moradores usam crachá, são vigiados por câmeras de vídeo e não podem abrir as janelas de casa. E é muito fácil identificar o capitalismo,representado pelo 'O Centro Comercial (a caverna),que engole, desfaz, destrói e passa por cima das relações humanas em nome do dinheiro. Esse processo atravessa esterilizando a vida das pessoas comuns que exercem uma profissão e se reconhecem nela. Todos nós de certa maneira, em diferentes graus somos vítimas desse processo,mas em "A Caverna" o oleiro Cipriano é a principal vítima,já que vendia a louça de barro que fabricava artesanalmente na aldeota em que vive - agora, os clientes do Centro preferem pratos e jarros de plástico. Sem outro ofício na vida, Cipriano perde a razão de viver. E a convite do genro,o guarda Marçal, muda-se para o Centro, essa verdadeira gruta onde milhares de pessoas se divertem, comem e trabalham sem verem a luz do sol e da lua. Enquanto isso, embaixo dos diversos subsolos, os funcionários do Centro descobrem uma estranha caverna. Driblando a vigilância, Cipriano consegue entrar lá. O que descobre é aterrador. Usando mais uma vez alegorias tão bem abordadas, José Saramago nos presenteia com um romance muito bem construído que nos faz ponderar sobre questões que poucos são capazes de reconhecer, não estaremos vivendo sobre as muitas sombras criadas por uma caverna chamada capitalismo? Quem somos senão aquilo que consumimos? O "ter" é mais importante que o "ser"? Quais os nossos vínculos afetivos que ficam isentos das diretrizes econômicas? Por que a profissão que eu tenho importa mais do que meu caráter? Por que ver apenas "sombras" materialistas,quando podemos vislumbrar com nitidez a felicidade que de maneira nenhuma está direcionada ao consumismo desvairado imposto pelos "senhores das sombras"?

    68 curtidas

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    4.2 / 1964
    • 5 estrelas43%
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    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    José Saramago profile picture

    José Saramago

    José de Sousa Saramago é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira (cineasta) adapta um conto retirado do livro "Objecto Quase", conto esse que viria dar nome ao filme Embargo (filme), uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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    José Saramago