Belíssima peça de Calderón, embora não seja especialista no gênero, foi possível observar a presença dos elementos clássicos de uma legítima tragicomédia - o elemento catártico, o destino, a fortuna, a finalidade de instruir moralmente quem lê ou assiste às cenas, tal como uma fábula com personagens humanos - o alívio cômico só se denuncia ao final com uma fuga do que o destino, até então, colocava como inevitável na trama. Não faço, aqui, um resumo, pois acredito que é pela ação encerrada nas falas e atos que a trama deve ser revelada. A recorrência da metáfora da vida tomada como sonho, além de conferir beleza ao texto, pode ser lida como reflexão e colocada em relação a temas tais como a efemeridade da vida, a impermanência, também o engano de percepção, de julgamento, etc. Considero importante destacar o ensaio introdutório, presente na edição da Hedra, cuja leitura deixei apenas para o final e depois de lida a peça, mas é crucial para a compreensão do momento e finalidade que o texto se insere, tendo sido ricamente escrito além de fornecer valiosos elementos para compreensão do significado de sonho para o autor e a época em que a peça foi escrita, o que elucida o papel da metáfora central do texto.