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    Ar de Dylan -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2012
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788540502185
    Português Brasileiro
    3.8
    57 avaliações
    Leram90Lendo6Querem115Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos7Desejados115Avaliaram57

    Narrado por um escritor de meia-idade convidado para um congresso internacional sobre o fracasso, Ar de Dylan conta a história do jovem Vilnius Lancastre, publicitário fracassado e cineasta de um único curta-metragem, cuja principal característica é sua semelhança física com Bob Dylan – o que lhe vale o apelido de Little Dylan. Após um tombo em que bate a cabeça no chão, Vilnius herda a memória do pai, o escritor recém-falecido, "especialista em se transformar a cada livro", Juan Lancastre. Ora conduzido pelo narrador, ora pelas encenações de Vilnius (guiado pelo fantasma do velho pai), Ar de Dylan é uma alucinante história sobre originalidade, autoria, identidade e memória.

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    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel10/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quando escurece, precisamos sempre de alguém.

    Chega a ser um pouco difícil montar uma sinopse; posso dizer que começamos acompanhando um escritor de meia-idade que fora convidado a um congresso sobre fracasso. No congresso, ele entra despretensiosamente numa conferência deveras estranha; um rapaz (Vilnus), que tem uma aparência idêntica a do jovem Bob Dylan, conta a história de seu (s) fracasso (os): após a repentina morte do pai, um premiado autor (Juan Lancastre), ele fica obcecado pela frase que dá título a esta resenha, - após tê-la visto em um filme escritor por F. Scott Fitzgerald. Simultaneamente, após Vilnus bater com a cabeça, pôde jurar de pés juntos que começou a receber memórias (sim, receber memórias) de seu próprio pai, do além. Mas creio que tudo citado no parágrafo anterior possa ser considerado execrável: o livro que começamos a ler não é o mesmo que terminamos. As reviravoltas, dantescas e apoteóticas, são figurinhas carimbadas desta história; há um crescente, onde cada vez mais a trama se torna inverossímil, inacreditável (no bom sentido da palavra), única, descolada de um curso normal de acontecimentos. Criar histórias desta estirpe pode ser perigoso ao autor; apenas exímios escritores, como no caso de Enrique Vila-Matas, conseguem exprimir de forma coesa o que em-nada-é-coeso. Pós-moderna, a leitura prende por ousar no absurdo, no surrealismo, no mistério, e não um mistério imposto, colocado de forma proposital, mas como uma névoa, uma neblina que tangencia todo o livro. O autor nos instiga a querer pagar para ver, observar até onde sua própria cabeça pode chegar; mesclando uma pancada de referências culturais (cinematográficas, plásticas, literárias) com uma narração cacofônica (há momentos em que a narração translada-se a onisciência, depois a observação, depois a Juan Lancastre [o falecido], para depois regressar ao escritor de meia-idade), julgo a leitura como um grande labirinto. Ar de Dylan é um livro que desafia, que faz o leitor gastar bastante tempo lendo, - o que aumenta o nosso prazer. É um quebra-cabeça que, mesmo com as peças (supostamente) encaixadas, continuamos a desconfiar que a imagem criada é disforme. Não é para qualquer um.

    19 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 57
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas47%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas7%
    Enrique Vila-Matas profile picture

    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas