O Senhor Embaixador (Best Quality Série Ouro) -

    Érico Veríssimo

    Editora Globo
    1987
    491 páginas
    16h 22m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Nas primeiras três partes do romance, - As Credenciais, A Festa e O Carrossel -, a ação se desenvolve em Washington D.C.. A última - intitulada A Montanha - tem por cenário a República do Sacramento, ilha do Caribe governada despoticamente por um militar que conta com o amparo duma oligarquia rural e de duas companhias norte-americanas. A estória tem início na manhã em que Don Gabriel Heliodoro Alvarado entrega ao Presidente Eisenhower, em Washington, suas credenciais de embaixador. Nesse mesmo dia o leitor já travava conhecimento com as principais personagens do livro - uma das mais ricas e expressivas galerias de tipos já criadas pelo ficcionista gaúcho: Juventino Carrera, o ditador sacramentenho; Pablo Ortega, um primeiro-secretário com tendências liberais; Pancho Vivanco e sua mulher Rosalía; Jorge Molina, o ministro conselheiro que se debate numa inesgotável crise de fé; Leonardo Gris, um humanista, exilado político a conspirar com alguns compatriotas para a derrubada do tirano; Glenda Doremus, uma americana racista e problematizada; Bill Godkin, um "gringo tranqüilo", especialista em assuntos latino-americanos numa agência de notícias; o Gen. Hugo Ugarte, adido militar da embaixada, um dos mais corruptos e cruéis chefes de polícia que a capital de Sacramento já vira. Nesse verdadeiro "carrossel diplomático" tem o leitor a visão de um universo de interesses em debate, no centro do qual avulta a pessoa de Gabriel Heliodoro Alvarado, o modelo do protegido político, do homem "leal ao regime e de notáveis serviços à causa da República".

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    Fabio Shiva27/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Colossal!

    Fabuloso! Indefectível! Estupendo! Piso com reverência o solo da Mãe Pátria, que escritores desse portento trouxe para o mundo! Viva a literatura brasileira! Viva Erico Verissimo! Verissimo prova por A mais B que o bom escritor, antes de saber escrever, sabe enxergar. Que olhar profundo e tão comovente, tão centrado no humano, nos dilemas e contradições humanas! Este foi um dos autores mais parecidos com o ideal do Demiurgo que já vi. Do mesmo quilate, talvez, Aldous Huxley (aliás, ler Verissimo me deixou tentado à releitura de “Contraponto”). A impressão que tive foi a de que Verissimo, com a paciência e o esmero de um mestre ourives, cunhou a alma de cada personagem, elaborou sua personalidade até os mínimos detalhes, forjou cada virtude e cada vício, cada potencial para a grandeza e para a sordidez. Os personagens de “O Senhor Embaixador” são sólidos, tridimensionais, capazes de sentir dor e amor, capazes de sangrar e até morrer. Não seriam mais vivos se por acaso andassem pelas ruas. Depois, o deus Verissimo criou o mundo, no caso a república caribenha de Sacramento e a sua extensão na embaixada localizada nos Estados Unidos. Que inesperado cenário para uma história escrita por um autor brasileiro. Mas Verissimo não tarda a mostrar que sua narrativa tem tudo a ver, sim e infelizmente, com o Brasil. Por fim, Verissimo soltou os seus personagens no mundo que havia criado, e viu que seu trabalho era bom. A história flui com tanta veracidade e força que parece até que não foi inventada, que Verissimo se limitou a anotar o que os personagens faziam e pensavam. Que livro magnífico! Agradeço à querida Teresa por seu estímulo para que eu lesse Verissimo, e ao querido Paulo pelo incentivo para com a literatura brasileira em geral. Imagino como não será “O Tempo e o Vento”... (02.04.09)

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