Quando admiramos uma flor em botão, e ao desabrochar-se, depois, em pétalas, de cores que os raios do sol irisam com matizes vários, quando vemos aqueles longos antardeceres, em que o sol crepusculeja cercado de massas luminosas e desce majestosamente por entre lagos de luz alaranjada, por entre franjas de ouro candente, escapam-nos palavras como estas: Que belo! Que beleza! Que maravilha!... Todos sentimos a beleza, descobrimo-la entre as coisas, nos atavios da natureza, nos seres vivos, nos sentimentos e nas palavras. Tinham os gregos uma palavra, aisthesis, que significava sensação, sentimento. Pois esta palavra passou a tomar a forma ocidental de Estética, que seria a disciplina que estuda a sensação, o sentir, mas que, com Alexandre Baumgarten (1714-1762), um famoso crítico de arte alemão, tomou o sentido de "ciência do belo". Desta forma, a Estética tem como objeto o belo e as suas manifestações. E como principal interrogação, esta é a pergunta que propõe: que é o belo? Em que consiste? Em suma: qual a essência do belo? E se sabemos o que é, onde está ele? Nas obras que contemplamos, ou em nós? Se começamos pelos gregos, vemos que Platão e Aristóteles identificaram o belo com o bom. Na Idade Média, o belo esteve em plano secundário, e nesse plano secundário chegou até Kant. Com Baumgarten, ainda, o belo era como uma espécie de perfeição confusamente concebida. Com Kant, é que se pode estabelecer a distinção entre estética subjetiva e estética objetiva, cuja divisão marca a predominância da idéia fundamental, como já veremos...

