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    Bons dias! & Notas Semanais -

    Machado de Assis

    Globo
    1997
    135 páginas
    4h 30m
    ISBN-10: 8525017817
    Português Brasileiro
    3.8
    58 avaliações
    Leram90Lendo6Querem52Relendo0Abandonos6Resenhas7
    Favoritos3Desejados52Avaliaram58

    Esta é uma coletânea de crônicas que Machado de Assis escreveu para dois jornais do Rio de Janeiro no século XIX. Na série Bons dias!, publicada no jornal Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro entre 5 de abril de 1888 e 29 de agosto de 1889, sob um pseudônimo que fez com que as crônicas não fossem reconhecidas como de sua autoria até a década de 1950, têm um fascínio especial no que diz respeito às opiniões políticas do autor e coincide com a abolição da escravatura e o fim do Império. Além da política da época, trazem ainda para o leitor certos temas de Assis, como a medicina popular, os neologismos e o espiritismo. Já entre 2 de junho e 1º de setembro de 1878, Machado de Assis publicou uma série de crônicas n'O Cruzeiro, sob o pseudônimo de Eleazar. Elas formam uma das séries que ele escreveu para os periódicos ao longo de sua carreira. As crônicas referem-se, com frequência, a casos relatados nos jornais. Assim, esta edição traz notas que visam permitir a sua compreensão.

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    Isabela Bento Beneti picture
    Isabela Bento Beneti24/06/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um bom panorama político do final do 2° reinado

    O fato das crônicas abordarem assuntos da política da época (1888-1889) é ruim, pois deixa os textos MUITO entediantes e MUITO difíceis de serem compreendidos por uma simples estudante do século XXI, mas ao mesmo tempo é bom, pois dá uma ideia de como era o cenário político da época. Algumas crônicas me remeteram a "Triste Fim de Policarpo Quaresma", pois tratam sobre políticos extremamente nacionalistas (assim como Policarpo) que condenam o uso de palavras estrangeiras, tentando, de maneira cômica, substituí-las por neologismos (o que também me lembrou de Odorico Paraguaçu em "O Bem-Amado"). Novamente, o narrador usado por Machado de Assis me irritou muito, assim como em "Dom Casmurro" e em "Memórias Póstrumas de Brás Cubas". Mas começo a entender que é justamente por meio desse narrador babaca (que, inclusive, se assemelha muito à figura de Medalhão, descrita no conto "Teoria do Medalhão") que Machado realiza suas críticas e ironias sutis (bem sutis mesmo, eu acho que eu não entendo nem 20% delas). Mas não dá pra negar que eu senti RAIVA do político ignorante que é esse narrador!! Em especial na crônica do dia 19 de maio sobre a Lei áurea. Nela, o narrador conta que libertou seu escravo poucos dias antes da abolição e se GABA por isso (faz até um banquete para se auto promover), mas continua tratando o escravo ""livre"" da mesma maneira como o tratava antes. Essa crônica denuncia a manutenção da escravidão e do racismo no Brasil mesmo depois da Lei 13 de maio. Observação interessantíssima: na crônica do dia 30 de março o narrador dá a ideia de uma moeda chamada "Cruzeiro" para o Brasil, que, na época, não tinha moeda cunhada. Curiosa como sou, fui pesquisar a origem do nome da moeda "cruzeiro" e descobri que foi justamente essa crônica que inspirou o nome!! Fiquei impressionada com o quanto Machado foi (e ainda é) influente não só na nossa cultura, mas até mesmo na nossa economia!!

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    Joaquim Maria Machado de Assis profile picture

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis