Fé na Estrada conta a história de dois jovens brasileiros, Laura Guedes e Dodô, ele escritor, ela fotógrafa, que resolvem refazer a rota que o escritor americano Jack Kerouac percorreu nos anos 50 para para escrever o clássico livro On The Road - Pé na Estrada. Autobiográfica, a história de Fé na Estrada é baseada na viagem e nas aventuras vividas pelo escritor Dodô Azevedo e a fotógrafa Luiza Leite em 2003, quando percorreram a mesma rota, com o objetivo de pesquisar as características do movimento contracultural americano do século XXI.
Fé na Estrada - Seguindo os passos de Jack Kerouac
Dodo Azevedo
A maioria dos livros que eu escolho são por motivos singulares. Primeiro: Se ele é gostado/elogiado pela maioria, e, segundo: Se eu me interesso por toda a prévia que os blogs nos costumam dar. Mas, o Fé na Estrada me foi na verdade uma exceção rara porque em nenhum dos dois motivos ele encaixou-se. A questão é que a surpresa está aqui: Ainda assim, eu gostei. Nele, devido a não-ficção do livro, o personagem principal é o próprio autor que se percebe um sonhador e fã irônico do Kerouac, e, mais especificamente ainda, do que ele escreveu e fez nos Estados Unidos anos antes. Coisa que, Dodô (e eu também, mas isso não vem-se ao caso) pretende e planeja desde os dezesseis, seguir. Logo no começo, ele nos descreve - no passado - sobre a sua situação financeira nada instável e o que precisou fazer para "juntar" algum dinheiro e finalmente realizar o seu sonho, e refazer o sentido de sua vida á muito, pacata. Sonho que carrega-se em sinônimos: Crimes, drogas-não-experimentadas, paixões, poemas nacionais, caronas de desconhecidos, índios, e mais. "- Perdoe-me a pressa, tenho um país pra salvar - disse para o guarda da fronteira do Iowa, que tinha uma ficha completa na mão. Meu nome, telefone, RG, nacionalidade, nome do meu pai, nome da minha mãe, profissão. NOME: Meu amor SOBRENOME: Consciência do que se deve fazer NOME COMPLETO DO PAI: Pouca consciência do que se deve fazer NOME COMPLETO DA MÃE: Nenhuma consciência do que se deve fazer Liguei o gravador. O guarda, Bob, Will ou Bill, leu e estranhou: - Sr. Meu amor, temo que o que foi preenchido na ficha pelo oficial da fronteira de Indiana não coincida com os dados que estão em seu passaporte - disse. - Me desculpe, oficial. Meu inglês, como pode perceber, não ser muito bom." Ele tanto tinha dificuldades com a língua estrangeira que usava a cada nova conversa/pessoa um gravador, para só assim, desajeitadamente repetir o que foi gravado até que entendesse. E há, claro, mais um outro e essencial motivo para o gravador: Este livro. Além dos - muitos - personagens que ele foi conhecendo ao decorrer da história (e eu escrevo isso rindo, por lembrar das situações) havia também como sua companheira de viagem e ex-mulher, Laura Guedes, que tinha algumas mágoas por ele nunca esquecidas, e que dizia o acompanhar só mesmo pelas boas fotos que conseguiria. Obs: Ela já residia no país até então, e, quando aceitou acompanhar o Dodô, mal sonhava que ele tinha com si apenas três mil em dinheiro. A narração dele, assim como no trecho retirado do livro que citei, é cheia de ironias por quase toda ela, carregando com si, bastante humor também. E confesso, sem nenhuma máscara ou disfarce á mais, que invejei o Dodô por quase o livro inteiro, comparado a toda essa minha vontade por conhecer o mundo. Cidades marcadas no livro On The Road, e mais algumas acrescentadas seja por Laura, ou pelo próprio Dodô. Boas e misteriosas pessoas. Cantores/pessoas famosos já descrentes na cultura beatnik, e muita, muita surpresa, coragem e liberdade. Isso, é o Fé na Estrada. Considerado para quem o leu, o On The Road do século XXI. Para mais resenhas, por favor, visite: http://ler-refletir-compartilhar.blogspot.com.br/
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