A partir dos conceitos habermasianos de racionalidade comunicativa, esfera pública e deliberação pública, buscou-se analisar o debate ocorrido, entre os anos de 1995 a 1997 e de 2000 a 2002, em torno do discurso de legalização da maconha presente nas músicas do grupo de rap/rock Planet Hemp. O exame das letras do Planet mostrou que as bases argumentativas do discurso de legalização têm relação com o que se configurou chamar, nas Ciências Sociais, de uma cultura da droga. Assim, o Planet, nas suas músicas, trouxe a público uma outra visão da maconha: a do próprio usuário da droga; assumiu uma perspectiva contrária à que vê o usuário como um indivíduo doente e incapaz de falar por si mesmo; defendeu a prerrogativa da liberdade individual de que as pessoas, se quiserem, têm o direito de fazer uso da maconha; e, inspirado em movimentos sociais, lançou mão de uma luta por reconhecimento do usuário de maconha, fazendo críticas à marginalização e ao preconceito da sociedade contra o usuário e assinalando a necessidade de este ser ouvido na formulação das leis que regulam o uso de drogas no Brasil, já que é diretamente afetado por elas. Essas, porém, foram perspectivas fortemente presentes no primeiro disco do Planet, Usuário (1995). Nos discos seguintes, - Os cães ladram mas a caravana não pára (1997) e A invasão do sagaz homem fumaça (2000), o Planet passou a falar cada vez mais a respeito da liberdade de expressão. Isso ocorreu porque, com base na Lei de Tóxicos n. 6.386, de 1976, vigente hoje no país, os integrantes do Planet foram acusados e presos por apologia às drogas. O debate público em torno do grupo voltou-se para questões referentes à liberdade de expressão, censura e apologia às drogas.
Das Rodas de Fumo à Esfera Pública - o discurso da legalização da maconha nas músicas do Planet Hemp
Pedro Santos Mundim
Annablume
2006
190 páginas
6h 20m
ISBN-10: 8574196460
Português Brasileiro
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