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    Os Vagabundos - Malva - Tchelkache - Konovalov

    Maksim Górki

    Edições de Ouro
    1965
    182 páginas
    6h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    30 avaliações
    Leram52Lendo3Querem45Relendo1Abandonos1Resenhas2
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    Três contos: Malva, Tchelkache e Konovalov. Apresentação de Carlos Heitor Cony. Ilustrações de Edmundo Rodrigues. As histórias narram como vagabundos alteraram a vida dos protagonistas.

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    João Marcos Rodrigues Rainho picture
    João Marcos Rodrigues Rainho06/12/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Os Vagabundos

    Apresentação de Carlos Heitor Cony Traz três histórias caracterizando o "vagabundo" (Bosjaky) com o nome do personagem principal em cada titulo - a prostituta Malva e o vagabundo Serejka; o ladrão portuário Tchelkache (porto de Odessa onde foi filmada a famosa cena do massacre no filme Couraçado Potemkin ; e o padeiro Konovalov. Personagens provavelmente inspirado na época em que morou no sul da Rússia. O conto Konovalov, com um protagonista padeiro, resgata sua experiência nessa profissão onde deve ter se deparado com os tipos que descreve e que também povo diversas outras suas histórias. Como o ladrão Tchelkache, que atua num porto, evocando as lembranças do autor quando estivador. São contos escritos em épocas diferente - seus primeiros escritos em 1897 - e reunidas nesta obra. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- TRECHOS MALVA Ah, a vida! o que é a vida! - exclamou Basílio, acariciando com uma expressão sonhadora o corpo da mulher que se lhe abandonava. É assim o mundo. O que nos proíbem é o que mais tentações nos causa. - Que mulher extraordinária tu és! Tão depressa foges de todos como te entregas a qualquer um que te apareça. E se um dia quiser, bonita como sou, posso arranjar um marido que valha mais que vocês todos juntos Sou livre como uma gaivota. Vou para onde me apetece e ninguém tem direito de me tocar. TCHELKACHE O granito, o ferro, as barcas e os homens, aglomeração imensa de vida e labor, erguem como que um hino sagrado, ao deus do Tráfego. Mas neste brouhaka confuso, as vozes dos homens são afogadas por todos outros ruídos, e eles próprios se sentem pequenos e nulos diante da grandeza imponente que os rodeia.Cobertos de farrapos, curvados sob as cargas enormes, agitam-se como vermes numa atmosfera abrasada e irrespirável, humilhados na sua insignificância, ao lado dos colossos de ferro, das montanhas de mercadorias, dos comboios que correm vertiginosamente, de todas essas coisas, enfim,feitas de pequeninos nadas que as suas mãos ajuntaram num todo uniforme e vivo. A sua obra escraviza-os, anula-lhes a personalidade. KONOVALOV Pegavam-nos em narrativas misturadas da mais ingênua verdade com a mais cândida mentira. Estimavam-nos muito e escutavam-nos com atenção. Todos os homens que lutam pela vida e estão sujeitos às suas contingências, são mais filósofos do que Schopenhauer, porque jamais uma ideia abstrata tomará uma forma tão precisa como a que a dor arranca de um cérebro. Surpreendia-me a concepção que tinham da vida aqueles homens vencidos por ela. Konovalov escutava com intenção evidente de contradizer o narrador. Pensando bem a vida está maravihosamente organizada. Livros! Escolas! Apesar de tudo, o homem vive sem proteção e ninguém se preocupa com a sua sorte. Não se deve fazer mal a ninguém; mas como isto está, é impossível deixar de o fazer. As ruas da cidade estão limpas, mas as almas das pessoas estão emporcalhadas. É necessário ter-se nascido numa cidade civilizada para se ter a resignação de viver nela toda a vida sem nunca sentir o desejo de libertar-se dessa esfera de convenções fátuas, de venenosas mentiras consagradas pelo uso de ambições mesquinhas e partidarismos acanhados, de diversas formas de falta de sinceridade, em uma palavra, de toda a loucura da vaidade que gela o coração, corrompe a inteligência, e tão insensatamente se chama vida civilizada. E nada os compensa desse sacrifício de porem as suas forças ao serviço do eterno desejo de construir, desejo que não lhes faculta abrigo e mal lhes proporciona o pão de cada dia. Os escravos foram sempre idênticos, dóceis e submissos a tudo oque os senhores lhes ordenavam, ora divinizando os seus verdugos, ora maldizendo-los e revoltando-se contra a sua tirania, o que infelizmente tão poucas vezes a acontece. O terror da dúvida e os venenos dos sonhos prejudicavam, até o anularem, aquele homem poderoso que por sua desgraça viera ao mundo com um coração tão sensível e vibrante. Esses "sonhadores" são numerosos na Rússia, e a sua infelicidade é inconsolável porque a força dos seus pensamentos aumenta com a cegueira do seu espírito. O tempo virá sem que possas impedi-lo de marchar ao teu encontro. Serás arrastado fatalmente para o nada e o teu corpo convertido em pó. Não te mexas, cala-te. Nem a língua nem os braços nos servem para coisa alguma.

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    Aleksei Maksimovich Peshkov

    Maksim Górki, pseudônimo de Aleksei Maksimovich Peshkov, foi um famoso escritor, romancista, dramaturgo, contista e ativista político russo. Gorki foi escritor de escola naturalista que formou uma espécie de ponte entre as gerações de Tchekhov e Tolstoi, e a nova geração de escritores soviéticos.

    73 Livros
    122 Seguidores

    Aleksei Maksimovich Peshkov