Antes de iniciar, um aviso: não leve a sério o que está escrito nas orelhas do livro porque pode te fazer acreditar que há algo de sobrenatural na história o que é hilário.
Daisy é uma garota nova-iorquina de 15 anos que se vê sendo mandada à Inglaterra para morar com uma tia e alguns primos ao mesmo tempo em que uma guerra começa. Lendo isso penso que 90% das pessoas vão achar que o foco da história é o envolvimento da Daisy com essa nova família em tempos difíceis, quando na verdade é o contrário. O envolvimento da protagonista com a família é só uma ferramenta pra mostrar como a guerra afeta as pessoas. Então quando a Daisy singulariza cada um dos membros da família lhes atribuindo características e talentos, não é exatamente só para mostrar o quão especial elas são agora para ela, mas é uma forma de lá no final você entender como essas pessoas conseguiram ou não superar as dificuldades.
Portanto Minha Vida Agora é sobre guerra. Não há descrições de batalhas e exércitos se digladiando, a autora preferiu abordar outro lado da guerra que não vemos normalmente, que é como isso atinge quem não está no epicentro do conflito e dentro disso mostra o que nos faz continuar em situações difíceis e também o que nos faz desistir. E tendo isso como proposta a autora a cumpriu, mas o leitor precisa ter um olhar mais sensível pra conseguir ver e compreender o que o livro tem a oferecer.
Há algo de muito interessante na forma como a história é contada - apenas o início de uma frase com letra maiúscula no meio da narração indica o que alguém disse – assim como na escolha dos nomes de algumas personagens.
Contudo ainda acho que a autora deveria ter focado mais em outras coisas como, por exemplo, o crescimento da Daisy. Ao final da leitura senti que a Daisy do final é igual a que morava em Nova York com o pai e a madrasta grávida. A mudança é muito sútil senão inexistente. E a Parte Dois do livro é um tanto forçada, senti até um pouco de Nicholas Sparks, mas um trecho do último capítulo tornou as coisas mais compreensíveis.