Desmond Tutu, é um dos grandes monumentos morais do mundo e um dos grandes profetas bíblicos pós-escrituras.
Vencedor do prêmio nobel da paz pela sua intensa luta contra o apartheid, arcebispo da igreja anglicana, e diplomata.
O conheci pela frase: "Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor."
O título parece algo estupidamente óbvio, e ainda assim, intensamente provocador. E como isso é delicioso.
Com um formato de diversos discursos extremamente bem contextualizados, temos contato não com a escrita, mas com a potente voz de Tutu.
Uma voz que nunca fugiu das responsabilidades históricas perante toda devastação que o cristianismo trouxe, desde cruzadas ao tráfico escravagista. Uma voz que clamava a falta de um dos principais aspectos na história do cristianismo: humildade e alteridade. Saber que não se tem o direito de monopolizar o Sagrado, o Eterno, e DEUS.
Os capítulos variam entre um tom desesperado, urgente, gritante, com um tom profético de Jeremias e Lamentações, perante grandes crises mundiais. Até o conforto e acolhimento em falas sensatas, bondosas, acolhedoras, sem deixar de serem duras e densas que lembram a poesia hebraica bíblica.
Certa vez na Tailândia ao ver o ímpeto missionário de desastabilizar toda a construção ontológica e epistemologica da pessoa, toda sua visão de mundo, sua noção de santidade e sagrado, sua infraestrutura, fui obrigado a me perguntar e a quem mais estivesse comigo: "teríamos nós a coragem de fazer o que temos pedido? ou só temos coragem de dizer que somos professores e um sacrilégio aceitar sermos alunos? teríamos nós coragem de fazer o mínimo que temos tanta altivez em pedir?”
Essa pergunta norteia minha experiência espiritual até hoje, saber que ninguém tem monopólio sobre o Divino, ninguém tem a Verdade, mas o Divino precisa ter reinar sobre nossa vida, e a Verdade precisa nos ter.
Esse livro é essencial para conhecer a base da ética bíblica e o que precisa (mas quase nunca foi) a base da ética cristã.