Um lugar para ficar vai contar a história do amor obsessivo de Christian Nilsson por Clara Oates. A narrativa é em primeira pessoa e foca o ponto de vista de Clara em dois momentos de sua vida. Os capítulos são intercalados quando Clara nos mostra como conheceu Christian e começou a amá-lo e o momento presente, em que ela e o pai decidem partir para uma outra cidade durante o verão em busca de tranquilidade e distanciamento dos problemas causados por conta desse relacionamento.
Aparentemente, o livro parece que será uma leitura pesada e densa. Mas a autora conseguiu mostrar com a dose certa de humor o namoro complicado de Clara e Christian. Além de obviamente algumas passagens envolvendo outros personagens, o humor é destacado bastante nas notas de rodapé com as explicações de Clara sobre alguns nomes, pessoas e situações.
(...) Havia muitas razões para guardar as coisas pra gente mesmo., e elas, geralmente, não são coisas boas, nem coisas felizes.
Pág. 37.
Os personagens são bem contruídos e suas histórias são bem definidas. Clara é uma garota que, apesar de ter passado por um outro relacionamento conturbado, ainda está apredendo a amar. Christian é a personificação do amor obsessivo. Clara não é só a garota que ele namora. Ela é dele e só dele. Inseguro, acha que qualquer pessoa que se aproxima de Clara é uma ameaça. Contrabalanceando, nós temos Finn Bishop, parente do fundador da cidade Bishop Rock e marinheiro ao lado do irmão no barco de turismo Obsession. Irônico, não?
Bobby Oates, pai de Clara, é um escritor bastante conhecido. Ele é humorado, divertido e muitas vezes parece mais um amigo do que um pai. Seu relacionamento com o mar guarda um grande segredo. Algumas pessoas não entendem bem por que ele decidira se refugiar com a filha ali por causa desse segredo de seu passado. Eu gostei bastante do pai de Clara e queria ter um assim - confissão. Apesar de algumas vezes deixá-la envergonhada, ele entende bastante sobre o que a filha passa e sente e busca ajudá-la da melhor maneira possível.
Alguns personagens não possuem uma participação maior na história, como Jack e Cleo, irmãos de Finn. Shakit, por exemplo, uma grande amiga de Clara, mal aparece mas quando aparece faz algo de suma importância para a história.
Recomendo para quem procura uma leitura rápida, envolvente, com um tema relativamente forte e bem desenvolvido não ficando algo difícil e cansativo de ler.
(...) É estranho, não é, como a ideia de pertencer a alguém pode parecer maravilhosa? Era algo tranquilizador, um modo de definir as coisas. Gostamos da ideia de estarmos protegidos, até que ficamos sufocados demais. Gostamos de ter segurança, até que ela signifique que não existe mais uma saída. E gostamos de pertencer a alguém, até percebermos que não somos mais nós mesmos.
Pág. 64.