Certo dia, a amiga de Mano o apresenta a um velho chamado Aladin, que, além de lhe compreender, conta-lhe uma variante da história do Patinho Feio e como o fato dele ser considerado diferente gerou consequências em sua vida. Em paralelo, seu outro amigo descobre o endereço de D'Artagan, um exímio jogador do que era o jogo mais difícil do momento, tornando sua imagem idealizada extremamente glorificada e perfeita, imagem essa que é logo desmistificada pelos garotos.
Com isso, à medida que Mano e seus amigos vão conhecendo a verdadeira natureza de D'Artagan e desvendando as palavras de Aladin, ambos vão sendo expostos às diferenças presentes nas pessoas ao seu redor e entre eles mesmos em uma narrativa, que, de forma implícita, busca debater a individualidade, suas diferentes formas de ser interpretada e de ser lidada, o preconceito e a expectativa, além de como tais elementos podem influenciar a vida de crianças e adolescentes. Tudo isso através de uma linguagem simples e personagens que esbanjam personalidade.
Da mesma forma que "Mano descobre a liberdade", "Mano descobre a diferença" segue tal modelo: uma personagem, que, de alguma forma sentiu na pele o tema discutido (D'Artagan); e um acontecimento ou fato que, junto da tal personagem, será discutido e visto de mais de um ângulo no decorrer da história (a história do Patinho Feio), principalmente com incentivo de algum indivíduo alheio ao grupo principal. Ao fim do livro, as questões não são respondidas por completo, mas as personagens se aproveitam do que aprenderam no decorrer da obra para resolver algum problema que pairava a discussão.
Apesar da abordagem bem planejada dos temas debatidos, o livro não abrange temas como diferenças raciais, religiosas, políticas, étnicas, etc. Diferente do que se mostra no livro, diferença não se resume a pessoas com problemas para se socializar ou com gostos diferentes, o que o faz soar no mínimo incompleto, visto que não contempla toda a magnitude do que se dispõe a falar sobre.
Desta forma, "Mano descobre a liberdade" acaba por ser um bom livro, bem estruturado, com boas reflexões, citações e personagens, mas que falha em abranger o tema a outras vertentes, focando apenas em questões específicas que tangem a diferença entre indivíduos.