O Jardim das cerejeiras e o Tio Vânia - A gaivota, O tio Vania, As três irmãs, O jardim das cerejeiras

    Anton Tchékhov

    L&PM Editores
    2009
    160 páginas
    5h 20m
    Português Brasileiro

    Numa época em que o teatro russo era dominado pelos me­lodramas, Tchékhov radicalizou a arte dramática ao escrever peças nas quais destrinchava os hábitos, os amores e os desejos das pessoas comuns. Para o escritor, o cotidiano e as banalidades da vida estavam repletos de dramas e po­diam ser temas de grandes obras. Depois de escrever A gaivota e obter um sucesso estrondoso com a montagem do Teatro de Arte de Moscou, em 1898, Tchékhov passou a escrever suas peças especialmente para o grupo dirigido por Stanislavski – ator, diretor e fundador do método de atuação que influenciou o Actors Studio. Foi no suntuoso palco russo que estrearam Tio Vânia, em 1899, e O jardim das cerejeiras, em 1904. Em ambas pode-se ver retratado o dia-a-dia de duas famílias russas que buscam um rumo frente às mudanças que se desenhavam na passagem do século XIX para o século XX. A tradução de Millôr Fernandes enaltece o tom tchekhoviano, entre a tragédia e a comédia, que tão belamente retrata o fluxo da vida.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (25)Ver mais
    Daniele picture
    Daniele01/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tragédias e comédias da vida comum

    Meu primeiro contato com Tchékhov foi através do conto "O beijo", que achei divertido mas não deixou uma impressão muito forte no primeiro momento. Talvez Tchékhov seja isso mesmo, atrai com uma isca de simplicidade que desorienta o leitor, um enredo que parece até banal, sem grandes acontecimentos. Quando somos fisgados, percebemos quão profundas são as reflexões escondidas na obra. O livro contém as peças "O jardim das cerejeiras" e "Tio Vânia". A segunda foi representada no filme "Drive my car", o que me fez procurar a obra. Ambas acontecem em um cenário rural com um enredo simples em um contexto de desentendimentos familiares. Tchékhov trabalhou como médico no interior da Rússia, convivendo com a população de várias classes que inspiraram a criação de seus personagens. Disfarçando-se debaixo da camada de simplicidade, o autor provoca reflexões sobre resignação diante da injustiça e aparente insignificância da vida. Ao mesmo tempo que ler Tchékhov combate o estigma que ler os russos é uma tarefa muito complexa, o que ainda me intimida são os nomes "difíceis" dos personagens e seus múltiplos apelidos. Para encerrar, deixo um trecho bastante apropriado para nossa situação atual: "O ser humano foi dotado de razão e força criativa pra multiplicar o legado da terra em que vive, mas até agora não criou coisa alguma – só destruiu. Cada dia é menor o número de florestas, há enchentes e secas em toda parte, espécies animais são exterminadas, o clima se torna hostil ao homem, e a terra mais triste, pobre, feia."

    34 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 284
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%