Quando comecei a ouvir falar bem desse livro só havia uma edição esgotada e difícil de achar. Apesar de ter ficado com muita vontade de ler por conta dos comentários acabei tendo que adiar o projeto. Ocorre que em 2012 a BestBolso lançou uma edição de bolso e eu finalmente pude conhece. E não me arrependi. Eu ri da primeira à última página e o irritantemente adorável Ignatius Reilly entrou para a minha galeria de personagens inesquecíveis.
Antes de falar do livro, não há como não contar um pouco da vida do autor. Depois de escrever Uma Confraria de Tolos, John Kennedy Toole procurou, sem sucesso, uma editora que o publicasse. Essas negativas agravaram um quadro de depressão que ele já apresentava fazendo com que desse fim à própria vida aos 31 anos de idade, em 1969. Depois de sua morte, a mãe encontrou o manuscrito do livro e por acreditar que ali estava um grande livro empreendeu uma cruzada para vê-lo publicado. Somente em 1980 o livro foi finalmente publicado e alcançou um sucesso tão grande que conferiu ao autor um merecido e póstumo Pulitzer.
Agora o livro...
Quando um verdadeiro gênio aparece no mundo, você vai reconhecê-lo por um sinal: todos os tolos se juntam contra ele.
(Jonathan Swift)
Dessa citação é que vem o título do livro... Uma Confraria de tolos. A estória se passa na New Orleans do início da década de 60. Ignatius tem 30 anos, mas ainda mora com a mãe e nunca trabalhou. Ele é arrogante, pedante, intratável, obeso, comilão, preguiçoso e dono de uma inteligência aguçada e de uma sinceridade desconcertante. Mesmo com todas essas qualidades cativa a gente. Ele odeia o mundo contemporâneo e vive vociferando contra ele. Impelido por um acontecimento nas primeiras páginas do livro ele começa a procurar emprego. E é a partir dessa busca que se desenrolam as peripécias dele e de muitos outros grandes personagens também inesquecíveis, dentre os quais não há como não citar Myrna Minkoff e Irene Reilly.
Enfim, é um livro único e hilário. Acho que muito dificilmente alguém que venha a lê-lo não irá gostar.