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    Materialismo Dialéctico e Psicanálise (Biblioteca de Ciências Humanas #2) -

    Wilhelm Reich

    Editorial Presença
    1975
    172 páginas
    5h 44m
    ISBN-1: 0
    Português
    4.2
    10 avaliações
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    MATERIALISMO DIALÉCTICO E PSICANÁLISE Produzida em 1929 e atualizada em 1934, esta obra, que polemiza, dentro do materialismo dialéctico, contra uma estabilização de conceitos tendente a bloquear o desenvolvimento da teoria psicanalítica, aparece hoje com uma nova atualidade. Tal atualidade, que permite considerar "Materialismo Dialéctico e Psicanálise" como um importante documento da recente reabertura do processo da Psicanálise, deve-se quer à reformulação metodológica levada a cabo por Wilhelm Reich, quer à dilucidação de alguns pontos fulcrais neste setor do conhecimento. No centro da investigação de Reich está o problema das relações entre o indivíduo e a sociedade e, consequentemente, de uma adequação metodológica a este objeto de estudo, sem incorrer em reduções ou extrapolações que afetem a especifidade da psicanálise. Para além de possíveis aspectos controversos, o conteúdo desta obra abre um campo de reflexões àqueles que procuram um estatuto científico para a psicanálise. Às raras contribuições de psicanalistas a este problema, faltava uma orientação adequada nas questões fundamentais do materialismo dialético; por outro lado, esses psicanalistas desprezavam completamente o problema central da sociologia de Marx: a luta de classes. No livro Materialismo Dialético e psicanálise, Reich vai expor sua teoria psicanalista baseada nos ensinamentos de Freud e no materialismo histórico de Marx e Engels. Como ele mesmo diz: “Existirão ligações entre a psicanálise de Freud e o materialismo dialético de Marx e de Engels? Responder a esta pergunta, discernir essas ligações no caso de existirem, é o objetivo a que nos propomos. A nossa resposta permitirá também dizer se é possível encetar a discussão sobre as relações da psicanálise com a revolução proletária e a luta de classes. As poucas contribuições ao tema “psicanálise e socialismo”, que encontramos na literatura até hoje, pecam pelo fato de faltar uma orientação à discussão, quer do lado do marxismo, quer do lado da psicanálise. Do lado marxista, a crítica da aplicação dos conhecimentos psicanalíticos à teoria social era em parte justificada. Às raras contribuições de psicanalistas a este problema, faltava uma orientação adequada nas questões fundamentais do materialismo dialético; por outro lado, esses psicanalistas desprezavam completamente o problema central da sociologia de Marx: a luta de classes. Por isso mesmo, essas contribuições não tinham a mínima utilidade para um sociólogo marxista, da mesma forma que um ensaio sobre os problemas psicológicos não tem para o psicanalista qualquer significação, se não tomar em conta os fatos do desenvolvimento sexual infantil, do recalcamento sexual, da vida psíquica inconsciente e da resistência sexual.”

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    Wilhelm Reich profile picture

    Wilhelm Reich

    Wilhelm Reich nasceu no Império Austro-húngaro em 1897 e se formou como médico na Universidade de Viena. Ainda na Universidade se interessou pelo trabalho de Freud e se tornou um de seus mais jovens e promissores discípulos. Dentro da Associação Psicanalítica, Reich dirigiu o Seminário de técnica psicanalítica, a fim de entender os erros clínicos da Psicanálise e melhorá-la, e fundou clínicas públicas para atender a massa trabalhadora. Reich buscou integrar a Psicanálise ao materialismo histórico dialético, a fim de entender o sofrimento humano, a miséria sexual, a irracionalidade social e suas características, como a desigualdade e o autoritarismo. Fundou o SexPol, um movimento que reunia grupos marginalizados e oprimidos em busca de reivindicações como o direito à moradia, ao divórcio, ao aborto, à sexualidade dos jovens etc., chegando a congregar 40 mil membros. Seguiu suas pesquisas e se focou em sua investigação sobre a base fisiológica da neurose, a função do orgasmo e em experimentos bioelétricos que o levaram ao desenvolvimento de uma técnica terapêutica por ele denominada vegetoterapia caracteroanalítica, que usa da leitura da expressão e estrutura corporal como recurso de análise e da intervenção nos enrijecimentos neuromusculares do organismo como meio terapêutico, junto à uma técnica sistemática de análise do caráter. Sua posição o levou a ser expulso da Associação Psicanalítica Internacional e do Partido Comunista, e a ser perseguido pela Alemanha nazista. Reich fugiu pela Europa seguindo com suas pesquisas e, por fim, se mudou para os EUA. Suas investigações o levaram ao entendimento de uma energia vital que Reich chamou "orgone". Para prosseguir com suas pesquisas e ensinar outros médicos sobre suas técnicas e teoria, Reich fundou um instituto chamado Orgonon. Suas pesquisas com o orgone envolveram a origem da vida, a função dessa energia nos organismos vivos - especialmente no ser humano - e suas aplicações no tratamento de câncer, engenharia atmosférica e outras finalidades. Seus estudos e a posição de Reich o levaram a ser investigado e perseguido pela FDA (Food and Drug Admnistration), que levou seu trabalho à justiça. Reich foi condenado à prisão e morreu poucos dias antes de ser libertado, em 1957.

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