Levadas e Quebradas -

    Antônio Felipe Villar de Lemos

    Pedra na Mão
    2012
    339 páginas
    11h 18m
    ISBN-13: 9788565239004
    Português Brasileiro

    Esta é uma seleção de textos publicados blog de Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, no período de 2006 a 2011. Espécie de diário de bordo (o termo tem a ver com o inglês log que significa exatamente livro ou diário de bordo), passa a fazer parte de um dos territórios surgidos no campo da comunicação escrita com o advento da internet, território livre onde quem quiser pode registrar seus textos. Em alguns casos, a exposição de textos na internet funciona como uma espécie de contato preliminar com o público, cujas reações poderão levar o autor a ir em frente e se lançar no jogo de regras mais rígidas da literatura que ainda se publica em papel. Este é o caso dos textos de Fê Lemos. Diante da volatilidade das páginas virtuais que circulam na internet, principalmente aquelas que se hospedam em servidores gratuitos, e que independem do respaldo de instituições estáveis, o autor de blogues talvez sinta, mesmo ‘publicando’ na internet, a sensação de que, por maior que seja o público alcançado, sua voz um dia deixará de ser ouvida, perdida no labirinto infinito de bits e bytes. Talvez seja isso que justifique em parte a decisão de muitos blogueiros ou escritores da Rede de registrar no suporte tão arcaico quanto o do livro impresso suas mensagens, suas criações, para lhes dar uma maior acessibilidade ao longo do tempo. Uma forma de essa voz se fazer merecedora da “árdua honra da tipografia”, de que fala Jorge Luis Borges. Fê Lemos foi um dos criadores, junto com Renato Russo, André Pretorius e Flávio Lemos, seu irmão, do chamado rock de Brasília, expresso na seminal banda Aborto Elétrico. Dela se originaram Capital Inicial – com quase 30 anos de estrada – e a lendária Legião Urbana, de constante presença no cenário da música brasileira. Como bem diz Jamari França, o grande cronista da música pop, no prefácio deste livro “Fê se revela um ótimo escritor num texto dinâmico que vai do factual a tiradas filosóficas e existenciais. Os relatos dos shows, dos encontros com fãs e das andanças em cada cidade registrados no calor da hora para não cair no esquecimento. Ele conta que estão sempre de passagem, sempre sem conhecer nada direito. Mesmo assim narra lembranças interessantes da cor local, dos habitantes e da culinária de lugares tão dispares como as grandes capitais e cidades desconhecidas da maioria, como São José do Mantimento, Capivari de Baixo, Piumhi, Ermo, Turvo e Sombrio.” Fê Lemos – Antônio Felipe Vilar de Lemos – nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1962 e veio morar em Brasília em 1968, acompanhando os pais que haviam se transferido para a nova capital. Aí fez seus estudos, tendo ingressado na Universidade de Brasília, no curso de psicologia. Abandonou o curso quando faltavam dois ou três semestres para concluí-lo, a fim de tentar a carreira de músico com o Capital Inicial em São Paulo. Ainda adolescente, viveu um ano na Inglaterra, em 1977, onde continuou o curso médio, assistiu a algumas aulas de bateria e, o mais importante, presenciou o auge do movimento punk. Tem dois filhos, Diana e Tomaz, e mora em São Paulo.

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    R .13/10/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em novembro de 2013 o Capital Inicial apresentou-se em Macapá, ocasião também do lançamento dessa obra na Livraria Acadêmica. Foi assim que a conheci. O autor esteve presente mostrando-se simpático e receptivo, contando ótimas histórias e despertando a atenção para o livro, que traz publicações de um blog entre 2006 e 2012, acompanhando as turnês da banda. É uma abordagem com textos curiosos, histórias engraçadas, também dramáticas, de impressões com criticidade e revelações. Percebe-se um refinamento nas impressões, de início voltadas para aspectos técnicos dos shows e evoluindo para uma convidativa e interessante viagem de descobertas pelo Brasil. Gostei do texto que fala de uma passagem anterior por minha cidade (setembro de 2008) onde é ressaltado o entusiasmo do público no show (algo sempre renovador para a banda) e também a descrição da Fortaleza e Marco Zero (principais pontos turísticos). Legal a impressão positiva, mas essa terra padece muito na mão de governantes do descaso e corrupção. Interessante também as crônicas "Além do farol tem um porto", de 2011. São divertidas e fazem um paralelo entre o presente e passado do autor. Finalizando, para quem curte história do rock nacional, o autor faz uma análise da banda Aborto Elétrico, uma das pioneiras no punk em Brasília, considerando sua origem e fim, com direito até a uma cronologia. O livro ficaria mais bacana com imagens de registro e não precisa ser fã da banda para viajar nessa boa leitura.

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