Fronteiras - a expansão camponesa na Pré-Amazônia Maranhense, quarto volume da série, fecha com chave de ouro a Coleção Antropologia e Campesinato no Maranhão. Resultado de empenhado trabalho de campo, os dois textos integrantes deste volume - o primeiro escrito por Murilo Santos e o segundo em co-autoria com Maristela de Paula Andrade - representam importante refer~encia àqueles que desejam obter mais elementos para uma compreensão da história da frente de expansão na Pré-Amazônia Maranhense. Produto de pesquisa etnográfica realizada ao longo de uma década, o trabalho de Murilo Santos descreve o processo de deslocamento e instalação no interior da floresta do Pindaré, Oeste do Maranhão, da família de Domingos Bala. Este trabalho contribui sobremaneira ao entendimento das categorias assituante, centro, cabeça da frente. Sua riqueza etnográfica dá substância a questões delineadas por autores como Manuel Correia de Andrade, Otávio Velho e José de Souza Martins quando tratam da expansão da fronteira agrícola em direção à Amazônia, dos anos 20 aos 70 do século XX. Ao atualizar e aprofundar o que Manuel Correia de Andrade denominou de frente de imigração nordestina, o trabalho descreve o papel e o lugar dos camponeses maranhenses que, fugindo das áreas de tensão social, e em busca das chamadas bandeiras verdes, contribuiram para a ocupação da Amazônia. Esse processo é descrito e analisado pelos autores por meio do acompanhamento da instalação da família do chamado assituante no interior da floresta, o que permite não só apreender como se dá a constituição dos chamados centros em uma frente de expansão, como também entender a divisão sexual e etária do trabalho familiar, aspectos do funcionamento da economia camponesa e a lógica jurídica que disciplina o acesso e a instalação de novas unidades familiares em seus locais de residência e trabalho. As contribuições de Murilo e Maristela permitem avançar na compreensão da dinâmica interna da organização econômica camponesa numa situação de fronteira agrícola ainda não completamente fechada. Além disso, nos auxiliam a compreender o desastre social e ambiental que se seguiu à instalação das famílias camponesas, nas décadas de 1980 e 1990, com a implantação de grandes empreendimentos como a Estrada de Ferro Carajás, projetos agripecuários e madeireiros responsáveis pela devastaçãoda floresta. Deste modo, o livro ora publicado registra um importante capítulo da história do campesinato de fronteira agrícola na região amazônica.
