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    O reino e o poder (Jornalismo Literário) - A reportagem clássica que revelou a intimidade do jornal mais importante do mundo

    Gay Talese

    Companhia das Letras
    2009
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788535900248
    Português Brasileiro
    4.2
    105 avaliações
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    Favoritos7Desejados387Avaliaram105

    The New York Times, o jornal mais influente do mundo, durante boa parte do século XX exerceu efetivamente o "quarto poder" nos Estados Unidos. Como acontece em toda grande instituição, o interior do The New York Times abrigou lutas e batalhas pelo poder, numa guerra traduzida em conflitos de personalidade, manipulações, choques de interesses, alianças táticas, vitórias exultantes e decepções profundas. A história desse grande jornal é apresentada aqui pelo editor e ensaísta Gay Talese, um dos expoentes do "novo jornalismo" - gênero que combina as técnicas descritivas do romance com o realismo da não-ficção. Talese expõe a filosofia e os princípios editoriais do Times, descreve as mudanças que o jornal sofreu ao longo de mais de um século de existência, identifica suas contradições, analisa a atuação de suas figuras-chave, destaca suas relações (às vezes incestuosas) com o poder político e também reconstitui reportagens de impacto. Nesses tempos em que não sabemos se são as pessoas que fazem as notícias ou se são as notícias que fazem as pessoas, este clássico da história do jornalismo ergue diante de nós o reino da imprensa, com seus senhores feudais, seus cavaleiros andantes e seus usos variados do poder de publicar.

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    Arsenio Meira picture
    Arsenio Meira13/06/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Liberdade à toda prova

    Acabei de reler o livro. Ah! a importância e o prazer da releitura... Havia esquecido de incluir esta obra-prima do chamado new journalism em minha estante. Mas nunca é tarde. Escrever uma reportagem impactante sobre os bastidores de um grande jornal, as intrigas internas da redação e sua relação com o poder político e econômico parece ser uma excelente proposta numa época em que boa parte da sociedade começa a colocar a mídia na berlinda. É verdade: a ideia é tão boa, e óbvia, que já foi executada há mais de 40 anos pelo jornalista americano Gay Talese. Np entanto, é preciso mais do que uma ótima ideia para construir uma obra memorável. E, ao publicar "O reino e o poder – uma história do New York Times", Talese fincou um marco histórico do chamado New Journalism ao expor com riqueza de detalhes o funcionamento do coração, do cérebro, do fígado e até mesmo um pouco do intestino do jornal mais importante do planeta entre os anos 30 e final dos anos 60. O livro de Talese é composto por uma fórmula que contêm doses maciças de transpiração e justa medida de inspiração. O trabalho de reportagem exaustivo, detalhista, reflete-se numa linguagem tão sóbria quanto a do NYT. Em nenhum momento a leitura de confunde com a de um romance, como acontece, por exemplo, com A sangue frio, do grande Truman Capote. A sobriedade do estilo não é sinônimo de frieza. A apuração é tão rica que o leitor é tragado para o mundo do New York Times e dos muitos homens e das poucas mulheres que o construíram. E o mergulho nesse mundo inclui conhecer até a infância dos seus proprietários, como o do fundador Adolpho Ochs, e de alguns dos seus jornalistas. A edição do ano 2000 da Companhia das Letras, a primeira lançada no Brasil, inclui um posfácio curto, escrito oito anos antes, em que o autor revela alguns detalhes do trabalho de pesquisa e apuração que realizou no final dos anos 60. Ele explica como os jornalistas e executivos revelaram seus sentimentos, sensações, pensamentos e pressentimentos em momentos decisivos ou em meio a crises. E recorda que teve acesso aos diários e álbuns de família cedidos pelos representantes da dinastia Ochs-Sulzberger que, não fizeram qualquer tipo de censura prévia ao livro. Dá para imaginar um comportamento decente assim por parte daqueles que herdaram e comandam os grandes impérios de comunicação do nosso País?

    23 curtidas

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