"O que sou essencialmente - por trás das máscaras involuntárias do poeta, do raciocinador e do que mais haja - é dramaturgo. O fenômeno da minha despersonalização instintiva a que aludi em minha carta anterior, para explicação da existência dos heterônimos, conduz naturalmente a essa definição." "Chamo de teatro estático aquele cujo enredo dramático não constitui ação - isto é, onde as figuras não só não agem, porque nem se deslocam nem dialogam sobre deslocarem-se, mas nem sequer têm perfeito enredo. Dir-se-á que isso não é teatro. Creio que o é porque o teatro é, não a ação nem a progressão e consequência da ação - mas, mais abrangentemente, a revelação das almas através das palavras trocadas e a criação de situações (...). Pode haver revelação de almas sem ação, e pode haver criação de simulações de inércia, momentos de alma sem janelas ou portas para a realidade." Com estas palavras, o próprio Autor nos fornece a exagese, de seus poemas dramáticos: "Na floresta do alheamento", "O Marinheiro" e "Primeiro Fausto", que apresentamos neste volume, e que constituem mais uma atmosfera do gênio criador e científico-filosófico do poeta. Esta edição reproduz também os poemas ingleses, poemas franceses e poemas traduzidos.
Poemas Dramáticos, Poemas Ingleses, Poemas Franceses, Poemas Traduzidos -
Fernando Pessoa
Nova Fronteira
1983
194 páginas
6h 28m
ISBN-1: 0
Português
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