Num mundo de respostas rápidas, os chavões caem como uma luva. A pedra que surge no meio do caminho é a tentação que este tipo de linguagem produz: conceitos enrijecidos pelo seu uso contínuo. Os desgastes acabam produzindo lugares-comuns de todas as espécies. Na efervescência do deadline, estas expressões perdem o efeito, a originalidade e revelam como os redatores se apropriam de alguns vocabulários transmitidos - na sua maioria de maneira popular - e os estiliza. Criando-o e devolvendo-o ao público, e assim recriando um sistema de moto perpétuo. Em suma, é a linguagem do clone e da dízima periódica constante. Ao contrário do signo lingüístico e a sua contínua progressão e possibilidades de significados e sentidos nas diversas leituras, o clichê trabalha na ordem inversa: é o esvaziamento, a regressão, a escassez de simbolização e o sentido único.

