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    Cacaso

    Cosac Naify
    2012
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788540501638
    Português Brasileiro
    4
    89 avaliações
    Leram159Lendo4Querem82Relendo0Abandonos1Resenhas5
    Favoritos6Desejados82Avaliaram89

    Uma das figuras marcantes da poesia brasileira dos anos 1970, Antônio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso (1944-1987), viveu os anos de "desbunde" e ditadura, participando da chamada "poesia marginal". Após sua morte prematura, em 1985, o poeta e letrista mineiro teve somente um livro reeditado. Este volume reúne desde seu primeiro livro, Palavra cerzida (1967) até o último, Mar de mineiro (1982), com acréscimo de inéditos. Cacaso trata do cotidiano, mas seu verso coloquial de raiz modernista revela domínio de toda a tradição literária brasileira. Este livro integra a coleção Portátil. O design dos livros da coleção foi pensado nos mínimos detalhes para que seja especial e inovador, como nas demais edições da Cosac Naify. As capas, com relevo exclusivo, trazem cores fluorescentes em uma disposição geométrica que varia a cada título. Os livros, em brochura, têm uma encadernação desenvolvida especialmente para garantir maior flexibilidade ao folhear. Todo o volume é impresso em munchen; a textura e cor agradáveis deste papel, aliadas ao tamanho e espaçamento das linhas e das letras garantem uma leitura confortável.

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    Jose Talles da Silva Soares picture
    Jose Talles da Silva Soares26/02/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um afago para Cacaso

    O excesso de erudição do intelectual brasileiro causou, algumas vezes, muito mais exclusão, do que uma tentativa empenhada em compreender o momento. Assim, muitos deles se preocuparam bem mais em preencher formas vazias, cito o concretismo quando se propõe a ser ultravanguarda, em detrimento a se empenhar na apreciação/entendimento de novos usos da palavra poética como no caso da geração mimeógrafo. Na literatura brasileira, principalmente em poesia, ser jovem não parece um valor muito apreciado, divergindo dos modelos europeus, onde temos o culto ao frescor da poética de Rimbaund por exemplo. Sempre nos deleitávamos em importar esses modelos, mas só até onde nosso espírito conservador permitia. Talvez seja esse o fator de quase esnobação da obra de Antônio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso. Não fosse ele uma pessoa ligada a universidade, muito amigo de algumas intelectuais atuantes como Heloísa Buarque de Holanda, passaria em vão, como passaram muitas outras e outros, principalmente negros e pobres excluídos desse meio. Cacaso migrou pra canção, igual a muitos poetas, virou editor, igual a muitos poetas, e inventou modos de fazer circular sua poesia, nem que fosse a um curto alcance, igual a muitos poetas. Para tal, usou o mimeógrafo, antecessor da poderosa fotocopiadora, para reproduzir sua poesia. Seus poemas, quase todos eles muito curtos, é possível publicar a maior parte dos poemas de Cacaso em uma tuitada, parecem lampejos anotados furtivamente em um papel de pão, guardanapo, ou coisa que o valha. Nem por isso foge a crítica social, ao lirismo, ao lúdico, a metafísica, e principalmente a memória. É constante ele falar sobre casos passados, saudades, e até de um presente que vai se encerrando e deixando a marca de tristeza melancólica do fim. Cacaso, usou essa forma de fazer versos como uma contemporaneidade dele, das amigas e amigos dele, numas décadas de 60/70/80 onde parecia que o Brasil entrava de vez para modernidade, a propaganda, o reclame publicitário se impunha, os jovens queriam praia, maconha, festa, liberdade, contestar as formas e conteúdos do estabelecido. Tudo isso há na sua poética, sem entretanto abandonar aquela busca de um espírito brasileiro, essa eterna tentativa de invenção, de ser um país. Instaurada desde um Gonçalves Dias e suas palmeiras com sabiás.

    4 curtidas

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    4 / 89
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas42%
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    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%