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    Cidade partida -

    Zuenir Ventura

    Companhia das Letras
    2000
    277 páginas
    9h 14m
    ISBN-10: 8571644039
    Português Brasileiro
    3.8
    256 avaliações
    Leram528Lendo53Querem500Relendo1Abandonos20Resenhas12
    Favoritos19Desejados500Avaliaram256

    A "cidade partida" do título deste livro é o Rio de Janeiro, cenário de uma verdadeira guerra: a da sociedade contra os bandidos. Durante dez meses, Zuenir Ventura, autor de 1968: o ano que não terminou, frequentou a favela de Vigário Geral (tristemente famosa pela chacina de 21 pessoas em agosto de 1993), convivendo com o outro lado da cidade, onde a vida não vale nada e a violência é a linguagem do cotidiano. Ao mesmo tempo, acompanhava ativamente a mobilização da sociedade civil contra a violência, que resultou no movimento Viva Rio. Este livro é o impressionante relato, muitas vezes emocionado, deste correspondente de uma guerra de lances surpreendentes e heróis inusitados, cuja solução não consiste meramente em destruir um suposto inimigo, mas em incorporar a massa de excluídos à sociedade. Prêmio Jabuti 1995 de Melhor Reportagem.

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    Resenhas (12)Ver mais
    Roberto Pa picture
    Roberto Pa24/03/2010Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Livro partido

    O livro começa com fôlego, e muito interessante, fornecendo informações sobre a "idade dourada" do Rio de Janeiro, mostrando que as coisas não eram tão paradisíacas quanto a memória de nossos pais e avós nos fazem crer. Aos poucos, o livro adquire uma conotação mais política e de crítica social, o que o torna ainda mais bacana. Todavia entretanto, esse tom vai se amenizando, torna-se um eco distante e, por fim, transmuta-se desarmonicamente em uma ode à classe média* carioca, solidária e que tenta corrigir as injustiças impostas à sociedade brasileira por "forças ocultas". A segunda metade do livro mais parece a coluna social do jornal, rasgando elogios a esses heróis do cenário carioca. O clímax desse flerte é o capítulo comovente em que Zuenir Ventura nos conta o casamento de dois dos benfeitores envolvidos. Merecia mais que um capítulo de livro: podia virar até novela. Ah, sim: o livro foi escrito logo após das chacinas da Candelária e de Vigário Geral, e a cidade partida é o Rio de Janeiro, dividido entre o morro e o asfalto. O jornalista conta a tentativa de estabelecer uma ponte entre essas realidades tão distantes, por meio de ações, protestos e mobilizações de toda a sociedade contra a violência que ameaça tomar conta da paradisíaca cidade maravilhosa. *classe média, tanto aqui como na maioria das conversas informais do Rio de Janeiro, é um eufemismo para famílias com situação financeira bastante acima da média brasileira, mas que fazem de conta que não, não pegam ônibus mas gostam de fingir que fazem parte do povão.

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 256
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%
    Zuenir Carlos Ventura profile picture

    Zuenir Carlos Ventura

    Zuenir Carlos Ventura, filho de Antônio José Ventura e Herina de Araújo, nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG); quando adolescente trabalhou como contínuo no Banco Barra do Piraí, faxineiro do Bar Eldorado, balconista da Camisaria Friburgo, entre outros. Em 1954 mudou-se para o Rio de Janeiro e entrou para a Faculdade Nacional de Filosofia, atual UFRJ, formando-se em 1958 em Letras Neolatinas. No ano de 1955 exerceu o cargo de assistente do filólogo Celso Cunha na disciplina de Língua Portuguesa, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1956 tornou-se redator de “A História em Notícia”, obra paradidática dirigida por Amaral Netto, que abordava os fatos históricos em linguagem jornalística. No ano de 1957, indicado por um professor da faculdade, consegue uma vaga de arquivista na “Tribuna da Imprensa”. Em 1959 ganha uma bolsa de estudos do governo francês para estudar no Centro de Formação de Jornalistas, em Paris e conjuntamente com os estudos trabalha como correspondente da “Tribuna”, fazendo coberturas históricas, como a passagem de Jango por Paris antes de se tornar Presidente e o encontro de cúpula entre Kennedy e Kruschev, em Viena. Ao retornar ao Brasil conhece Mary Akiersztein, na redação da “Tribuna”, casa-se com ela e passa a trabalhar como editor internacional no “Correio da Manhã”, além de dar aula de Comunicação Verbal na Escola Superior de Desenho Industrial da qual é um dos criadores. No ano de 1964 Mary, grávida e acompanhada pelo marido vai cobrir o Festival de Cannes, enviada pelo “JB”, viagem oportuna, uma vez que ambos estavam sendo procurados pela polícia como “subversivos”. Em Cannes conhecem Glauber Rocha e nasce uma grande amizade. Quando retornam ao Brasil nasce Elisa, sua filha. Em 1965 assume o cargo de chefe de reportagem da revista “O Cruzeiro”; em 1967 torna-se chefe da filial Rio da Revista “Visão”. No ano de 1968 é preso e passa três meses em uma cela com pessoas influentes como Hélio Pellegrino, Ziraldo, Gerardo Mello Mourão e Osvaldo Peralva. Sua mulher e seu irmão também são presos no mesmo dia, porém por menos tempo. Zuenir só sai da prisão devido a influência de Helio Pellegrini que impõe como condição para sua própria liberação a soltura do jornalista, que ocorreu em março de 1969. No mesmo ano lança para a Editora Abril uma sucessão de 12 reportagens intituladas “Os anos 60 – A década que mudou tudo” que mais tarde se transformou em um livro. Em 1975 atua como colaborador no roteiro do documentário “Que país é esse?” de Leon Hirzsman; em 1977 assume o cargo de chefe da sucursal da Revista Veja, época em que se junta a dois outros jornalistas para investigar a morte de Cláudia Lessin Rodrigues, matéria que lhes confere o Prêmio Esso; em 1980 entrevista para a “Veja” o poeta Carlos Drummond de Andrade, após um longo tempo de silêncio deste; Em 1981 assume o cargo de diretor da filial Rio de Janeiro da “Revista Isto É”. Em 1968 se afasta por dez meses do jornal para escrever seu famoso livro: “1968 – O ano que não terminou”, best-seller que se torna mais tarde inspiração para a minissérie da Rede Globo, “Anos Rebeldes”. Em 1989, como repórter especial do JB, vai para o Acre onde fica por mais de um mês investigando o crime do seringueiro Chico Mendes ocorrido em dezembro de 1988, quando retorna edita uma série de reportagens que lhe confere dois prêmios: o Esso de Jornalismo e o Wladimir Herzog de direitos humanos. Em 1983 após as chacinas da Candelária e do Vigário Geral colabora para a criação do Viva Rio, uma organização não governamental dedicada a projetos sociais e campanhas anti-violência; em 1984, após nove meses freqüentando a favela de Vigário Geral, edita um livro contando sua experiência, “Cidade partida, um retrato das causas da violência no Rio” ganhando o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em 1988 é surpreendido com um câncer em fase inicial na bexiga, resolve então publicar o livro “Inveja – Mal secreto” no qual conta a sua luta e vitória contra a doença, entre outras coisas. Em 2003, depois de 13 anos volta para o Acre para escrever a última parte de “Chico Mendes – Crime e castigo”, lançado pela Companhia das Letras.

    18 Livros
    100 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Zuenir Carlos Ventura