O homem interdito é uma coleção de crônicas que mais parecem contos, estruturados numa espécie de romance fragmentado. Ele teoriza: “Brinco um pouco com os limites da crônica. Quis chegar ao limite da intersecção entre crônica e conto. E o livro tem um personagem que não é físico, não é um ser humano, e sim uma visão, um olhar para as coisas, que é esse homem interdito. As histórias são independentes, mas têm essa sutileza em comum”.
O homem interdito -
Marcelo Benini
Que seja eterno enquanto dure
Preciso respirar fundo. Um livro tão fino e tão eterno ao mesmo tempo. Uma coleção de crônicas, muito bem escritas. Esse não é um livro para qualquer um. Eis que exige atenção, vivência de mundo, sensibilidade e muita boa vontade para deixar-se devorar! Geralmente afirmo que li um livro em um ou dois dias. Não é o caso de O homem interdito, (86 páginas), de Marcelo Benini. Marcelo escreve para ser degustado por toda a eternidade. E que seja eterno enquanto dure. Quando vi as 86 páginas, imaginei que o leria em uma tarde, mas mas quando comecei a escrever essa resenha, afirmo que não estava nem na metade. Decidi que leria uma crônica por dia. Mas isso não me impede de resenhá-lo. Com12 das 37 crônicas lidas, assumo que fiquei mais que encantada. Pegue o seu Aurélio! “Esquecer é um remédio alopático, que só faz empurrar o amor lá para dentro, entranhando-o, calcificando-o, dentro de nós e nos tornando museus de histórias mortas.” Lembrei-me das falas de Jung. Sofra! Sofra tudo o que você tiver que sofrer! Chore! Chore tudo o que tiver que chorar! Guardar esse monstro por trás de uma parede de concreto o deixará mais forte e você mais debilitado! Sufocar esse monstro até a morte é consegui dar vida mutável a ele. Fuja das limitações e transforme! Acredito que vocês já perceberam que não dá pra resenhar este livro por completo. Nem limitar o livro a uma simplória resenha. Então resolvi deixar meu espírito falar por mim. É um livro intenso. Pode parecer ingênuo falar do cotidiano, mas de simples nós não temos nada. E a proposta é nos enganar com capas e páginas curtas e nos fazer abrir uma porta interna capaz de adentrar este mundo externo. É uma viagem inevitável. A leitura das crônicas é rápida e as temáticas são gostosas, a questão é o que acontece conosco depois de cada leitura. Eu suei, faltou ar, minha mente divagava sem rumo e sem propósito estabelecidos pelo tempo de Cronos. Veja mais no Literatura: http://migre.me/aRQ6R
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