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    A Rebelião das Massas -

    José Ortega y Gasset

    Martins Fontes
    1987
    258 páginas
    8h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    11 avaliações
    Leram3Lendo1Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados2Avaliaram11

    Ortega Y Gasset avalia o homem médio quanto a sua capacidade para continuar a civilização moderna e quanto à sua adesão à cultura. Tentando responder a questões como 'quem manda no mundo', ele discute a atitude do homem médio ante a civilização e a cultura.

    Resenhas (3)Ver mais
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    Filino Carvalho Neto28/08/2019Resenhou um livro
    0

    Provocante e pertinente

    Pelo título o leitor pode imaginar que se trata de uma obra que se debruça sobre a revolta das classes menos favorecidas. Ledo engano. A "massa" a que se refere o autor diz respeito não a uma categoria social específica, mas a um tipo mesmo de homem (e até de sociedade). Ortega y Gasset dirige um olhar surpreso às coisas tal como elas se apresentavam. Do século XIX para cá, particularmente, uma vez envolto numa realidade marcada por desenvolvimento tecnológico e por grandes comodidades, o indivíduo vê-se com uma imensa gama de possibilidades para conferir à própria vida e, ao mesmo tempo, depara-se com uma espécie de vazio, fruto do desmoronamento de comandos externos (morais, religiosos etc.) que conferiam algum sentido à sua conduta. Tal estado de coisas tem implicações enormes e em vários aspectos, tais como: 1) - na psicologia do próprio homem, que não se vê apenas como senhor de si, mas se torna um verdadeiro sujeito mimado - o que, nos dias atuais, cairia perfeitamente sob a caracterização do "mimimi" - e que não sente qualquer desconforto em seguir as próprias regras em desprezo de quaisquer outras que, de algum modo, o contrariem; 2) - os intelectuais, que são caracterizados doravante (e até mesmo pelo avanço da ciência) como extremamente especializados e fazendo surgir, com isso, um interessante paradoxo: sabem muito sobre pouca coisa, ignoram a totalidade, mas se arvoram de seu conhecimento para extravasar para outros temas em que, tempos atrás, confessariam sua ignorância. A "vulgaridade intelectual" parece ser algo que assombra o autor no decorrer das páginas. Se estivesse vivo nestes dias, então...! Outro aspecto interessante da obra de Ortega y Gasset é a sua concepção de Estado. O autor insiste, na contramão de muita gente, que o Estado não surge de uma unidade linguística ou de sangue. O exemplo da Espanha e da Itália é bem sintomático, demonstrando que aquilo que se compreende como Estado traz em seu bojo enormes discrepâncias entre os indivíduos nele inseridos. É uma obra composta de textos praticamente independentes, unidos sob um eixo interessantíssimo. Aqui e ali o leitor se depara com algumas interpretações datadas e até questionáveis, mas no geral é um livro que merece ser (re)lido nos dias atuais. Tratando da "época do 'senhorzinho satisfeito'" ou da "barbárie da 'especialização'" (títulos de alguns dos capítulos), vemos que as reflexões de Ortega y Gasset são bastante pertinentes. Ou melhor, urgentes.

    1 curtida

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    José Ortega y Gasset

    Filósofo, ensaísta, jornalista e ativista espanhol fundador da Escola de Madrid. Tratou uma gama de assuntos articulando as mais diversas experiências humanas através das perspectivas da fenomenologia, do historicismo e do existencialismo.

    47 Livros
    122 Seguidores

    José Ortega y Gasset