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    Do sonho às coisas - Retratos subversivos

    José Carlos Mariátegui

    Boitempo
    2005
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8575590618
    Português Brasileiro
    3.8
    13 avaliações
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    Em uma curta e intensa vida, o jornalista, teórico e dirigente revolucionário peruano José Carlos Mariátegui (1894-1930) uniu pensamento e ação, arte e política, jornalismo e militância, construindo uma obra que fez dele o mais original dos pensadores marxistas latino-americanos. Empenhado em trazer as idéias de Marx para a realidade do subcontinente, Mariátegui abriu caminhos para uma reflexão própria do marxismo, sempre lutando pelo papel dos povos e culturas indígenas na luta de classes e pela transformação social. Sua obra teórica – e sua visão sobre a formação social e étnica da indo-américa – influenciou desde a revolução cubana e Che Guevara até os zapatistas de Chiapas, e segue inspirando movimentos que lutam pela igualdade e pela emancipação em toda a América Latina. Dentre os vários livros que escreveu, destacam-se Siete ensayos de interpretación de la realidad peruana e La escena contemporânea. Mariátegui aliava o trabalho teórico ao gosto pelos debates das vanguardas artísticas e a profissão de jornalista, o que no início da carreira o levou a escrever sobre assuntos tão diversos quanto corridas de cavalo e notícias policiais. Publicou poemas, fundou revistas de humor e arte; mas logo passou a se dedicar com convicção à causa socialista, fundando o Partido Socialista Peruano, escrevendo como correspondente na Europa e criando publicações com forte conteúdo de crítica social. Entre elas, a célebre revista Amauta, palavra quéchua que significa `sábio, sacerdote`, e que se tornou uma espécie de alcunha do próprio Mariátegui. Neste Do sonho às coisas: retratos subversivos, Luiz Bernardo Pericás reúne escritos nos quais nosso autor analisa personagens como Mussolini e a ascensão do fascismo, Mahatma Gandhi e a luta pela independência indiana, John Maynard Keynes e o tratado de Versalhes, André Gide e a Nouvelle Revue Française, Leon Trotski e suas reflexões sobre arte, Máximo Gorki e a revolução russa, H.G. Wells e a visão de mundo do Império Britânico, entre outros. Esses retratos, textos em permanente movimento, corajosos, apaixonados, demolidores, permitem também conhecer mais do seu autor: um homem de talento e inteligência afiada, que buscou ver a realidade com olhos latino-americanos que sonhavam e lutavam para transformar o mundo

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    Lima Júnior08/08/2017Resenhou um livro
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    Retratos subversivos do jornalismo de Mariátegui

    O livro “Do sonho às coisas: Retratos subversivos”, editado no Brasil pela Boitempo Editorial, é uma compilação de textos de José Carlos Mariátegui, marxista peruano, vindo do livro La escena contemporânea, publicado no Peru em 1925, junto com alguns textos publicados no semanário Variedades, entre 1925 e 1928. Todos os textos são frutos da tradução e organização de Luiz Bernardo Pericás, que também escreveu uma introdução ao livro. A obra La escena contemporánea é uma das duas únicas obras publicadas por Mariátegui em vida, que também publicou o clássico “Sete ensaios de interpretação da realidade peruana”, em 1928, tornando-se uma das maiores referências marxistas da Indo-América, como costumava chamar nuestra América Latina. O livro é uma seleção de artigos sobre personalidades da época, onde Mariátegui faz uma análise dos sujeitos de acordo com sua importância histórica, utilizando elementos dos perfis jornalísticos. A atualidade da obra está justamente na maestria com que Mariátegui escreve, um jornalismo dialético e fundado nos conhecimentos do autor das mais diversas temáticas referentes à personagens da história, da política e da arte. Artigos essenciais, como os perfis traçados sobre a figura de Mussolini, no auge do fascismo, e de Trotsky e Zinoviev, no auge da revolução bolchevique e da implantação da Terceira Internacional mostram como Mariátegui estava afinado com a realidade mundial, após uma breve passagem na Europa e retornando ao Peru em 1923. A produção jornalística de Mariátegui é surpreendente. Idealizador de vários periódicos, como Variedades, Claridad, La Razón e o mais famoso de todos, Amauta, Mariátegui escrevia praticamente todos os dias, falando desde as crônicas da rotina peruana até os debates mais acalorados sobre a conjuntura política, à exemplo das discussões acerca da crítica ao aprismo de Haya de La Torre e à fundação do Partido Socialista do Peru, seção da Terceira Internacional, que logo mais seria denominado Partido Comunista do Peru após a morte de seu fundador. No artigo sobre o escritor Oliverio Girondo, Mariátegui elabora uma análise surpreendente acerca da visão das escolas de vanguarda e da poesia contemporânea. Para ele, as escolas de vanguarda têm como função “dissociar e destruir todas as ideias e sentimentos da arte burguesa. [...] é o que as escolas ultramodernas têm de revolucionário: nada do mundo burguês lhes parece respeitável”. A obra de Mariátegui é uma verdadeira imersão na realidade do período entre-guerras, aprofundada com suas análises das figuras que estavam à frente dos processos políticos e artísticos do momento. É uma pena que sua obra jornalística seja tão pouco difundida e estudada nas escolas superiores de Comunicação do Brasil. Resgatar a sua forma de escrita e seu ardor pela divulgação e formação de uma imprensa proletária é essencial para todo e qualquer marxista brasileiro hoje em dia. No artigo “A imprensa italiana”, publicado originalmente em El Tiempo, em 1921, Mariátegui afirma que “dentro da luta de classes não cabem jornais independentes, neutros. Todos os jornais têm filiação. Todos os jornais são sectários. Todos os jornais são políticos”. O jornalismo de Mariátegui tinha um lado, o lado da classe trabalhadora. Façamos nós, jornalistas do século XXI, nossos jornais de classe!

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    José Carlos Mariátegui La Chira

    Figura imprescindível do marxismo latino-americano de força e originalidade universais, à nível de Lukács, Benjamin e Gramsci, foi um escritor, jornalista, sociólogo e ativista político peruano. Prolífico, morreu prematuramente aos 35 anos.

    10 Livros
    14 Seguidores

    José Carlos Mariátegui La Chira