Paranóia -

    Roberto Piva

    Instituto Moreira Salles
    2009
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788586707407
    Português Brasileiro

    Originalmente publicado em 1963 e esgotado durante um longo período, o livro reúne 19 poemas de Roberto Piva e fotografias do artista plástico Wesley Duke Lee. Desde sua primeira edição, Paranóia compõe uma das mais fortes parcerias artísticas que a cidade de São Paulo já inspirou. Na época de seu lançamento, Paranóia teve o destino dos livros que nadam contra a corrente. De um lado, por sua índole contestadora, incomodou os críticos mais conservadores. De outro, por seu individualismo anárquico, confrontou a vanguarda literária mais programática na época, o movimento concretista. Em compensação, seus poemas foram cultuados por todos os leitores e artistas receptivos a uma sensibilidade profundamente libertária. Paranóia é o mais eloquente exemplo da primeira fase da carreira de Piva, na qual o ímpeto para a transgressão talvez seja a característica predominante. Muitas tradições literárias entrecruzam-se nesta obra. Entre elas, vale citar a da meditação andarilha pela cidade, consagrada com Baudelaire e cuja influência varreu o mundo, alcançando a metrópole periférica de Mário de Andrade e do modernismo da primeira geração. Vale registro também o influxo dos poetas beat norte-americanos, com sua apologia do desejo irrefreado, seu destemor diante da alternância entre os registros alto e baixo, sua livre associação de ideias e referências e sua adesão ao escape proporcionado pelas drogas. Uma visão alucinatória de São Paulo, foi como Piva definiu seu livro.

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    Martha Lopes12/11/2009Resenhou um livro
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    No Colherada Cultural (www.colheradacultural.com.br):

    Não raro, poetas com um trabalho sensível e pungente são esquecidos pela história. Muitas vezes, isso se dá pelo fato de seu trabalho ler o momento em que é feito com tanta destreza e modernidade, que críticos e público são incapazes de compreender e admirar. Esse parece ser o caso de Roberto Piva. O paulistano marcou a literatura da década de 1960 com um lirismo violento que traduzia as mudanças pelas quais o mundo passava e o caos urbano de São Paulo. Nascido em 1937, teve seus primeiros poemas reunidos na "Antologia dos Novíssimos", em 1961. Depois vieram oito livros de poesias, sendo "Paranoia", de 1963, um dos mais conhecidos. Em 2000, o Instituto Moreira Salles relançou a obra, ilustrada com fotografias de Duke Lee, que, neste mês, ganhou nova edição. O volume resulta em um alinhamento perfeito entre os poemas delirantes e as imagens caóticas. Piva transporta o lirismo paulistano para versos soltos, longos, sem métrica, rimas ou regularidades. Já no começo da década de 1960, fala de homossexualismo, marginalidade e desigualdade social. Descreve cenas e pensamentos desconexos que parecem se encontrar no caos urbano, fugindo do concretismo que marcava a época. As passagens são pontuadas por referências à metrópole -- que, mais do que mera referência espacial, parece ser parte ativa desses sentimentos e fatos. Diz: "na rua São Luís o meu coração mastiga um trecho da minha alma". Ou ainda "meus êxtases não admitindo mais o calor das mãos e o brilho/ platônico dos postes da rua Aurora comichando nas omoplatas/ irreais do meu Delírio".

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