Olha... Eu sinceramente não esperava que esse livro fosse me causar 1/3 do que me causou. E eu só peguei nele porque o consegui por incríveis R$9 num sebo; se não fosse isso provavelmente não leria esse treco tão cedo. E que ERRO seria. O que Zélia faz aqui é uma SACANAGEM.
Não é só a história de como ela e Jorge se conheceram, quem andava com eles, como foi o casamento antes do exílio. A autora vai muito além: ela cria o verdadeiro retrato de uma geração de notáveis a partir do marido. Jorge Amado é como um fio que vai puxando as histórias da política, da intelectualidade e das artes dos anos 40. Por essas páginas passam Graciliano Ramos, Rubem Braga, Ziembinski, Prestes, Marighella, Pablo Neruda, Vinicius, Nereu Ramos, Erico Verissimo, o baby Moacyr Scliar - e isso só pra começar. Histórias de bastidores do PCB? Tem. Do congresso como um todo? Tem. Causos envolvendo Jorge Amado & amigos? Tem e muito.
Mas o melhor, o brilho da coisa toda, é o que Zélia faz com a família. Os melhores momentos são os que envolvem Lalu e o coronel. Que coisa linda de casal! Os causos de dona Angelina não ficam pra trás. E as peripécias de Joelson sendo sempre confundido com Jorge...
Enfim. Obra-prima que faz rir - horrores! -, chorar e conhecer uma geração de pessoas que permeia as páginas dos livros de história até hoje. Zélia conseguiu me atingir num lugar que Jorge nunca atingiu; nunca tive uma experiência NESSE NÍVEL com nenhum dos livros do Amadão - e eu sou fã do homem!
"Um chapéu para viagem" é até aqui minha melhor experiência de leitura no ano - Rubião, juro que continuo te amando - e vai ser MUITO difícil alguém desbancar esse treco.