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    Nove, novena - Narrativas

    Osman Lins

    Companhia das Letras
    1994
    211 páginas
    7h 2m
    ISBN-10: 8571643741
    Português Brasileiro
    4.3
    92 avaliações
    Leram140Lendo15Querem127Relendo2Abandonos8Resenhas10
    Favoritos13Desejados127Avaliaram92

    Coletânea de contos do escritor pernambucano Osman Lins. Algumas das mais belas páginas já escritas em língua portuguesa, nas quais aparecem o rigor formal e o estilo inconfundível do autor de Avalovara e O Fiel e a Pedra. "Ao publicar Nove, novena em 1966, Osman Lins tornou-se um dos expoentes da ficção brasileira contemporânea. Neste livro singular, cujos textos não se enquadram num gênero literário específico, o autor tenta desvendar o mundo pela imaginação poética. Nas nove narrativas que, em seu conjunto, encerram uma notável coerência, Osman Lins capta, por diversos ângulos, dramas da existência humana: desencontros, miséria, frustrações, histórias de amor fracassadas, incomunicabilidade entre os seres [...] "Livro central da obra de Osman Lins, Nove, novena prenuncia o romance Avalovara, um dos pontos culminantes da literatura brasileira deste século." Milton Hatoum

    Edições (2)

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    Resenhas (10)Ver mais
    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel28/03/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Experimentos para leitores calejados

    No Brasil, a regra é clara: se o autor não cai nas graças do academicismo, ou não vira xodó de algum ator da Globo, ou não se torna figurinha carimbada de *obrigatórios pra vestibular*, ele acaba entrando no portal do esquecimento; e isso é terrível. Terrível por uma voz potente como esta, de Osman Lins, ficar restrita há um seleto grupo de admiradores. Muito mais do que a cacofonia, a pluralidade de vozes, eu creio que seu principal tema seja a passagem do tempo; a polifonia é um simples pretexto para marcar uma passagem temporal desconexa, confusa, nem sempre estritamente narrativa; é como se o mais importante fosse adentrar a narrativa, não entender, com exatidão, quem está falando. Somos lentamente sugados por um intenso fluxo de consciência (que se encerra e novamente se inicia na mesma velocidade), - há momentos em que as palavras passam diante aos olhos e nem damos por elas. Meu conto favorito foi O PENTÁGONO DE HAHN, narrativa em que cinco personagens ficam obcecados por uma elefanta de circo; mistura-se passado com presente, tornando-se indistinguível os tempos presentes do pretérito. Eu falo isso em absolutamente todas as minhas resenhas, mas, realmente, essa leitura é bem complicada (eu estava lendo desde o ano passado, em doses homeopáticas, - não sei se foi benéfico). A melhor dica que posso dar é para ler com muita calma, e, de preferência (se este mundo pós-moderno permitir…), leia os contos de uma vez só; reserve um dia inteiro para cada um deles. São dificílimos. Mas bem prazerosos.

    18 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 92
    • 5 estrelas54%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
    Osman da Costa Lins profile picture

    Osman da Costa Lins

    Aos 16 dias de nascimento, Osman Lins perdeu a mãe. Sem lembrança visual da mãe ou fotografia dela, sua obra - de algum modo - traz esse traço biográfico: o de tentar reconstituir o rosto de alguém muito amado, porém desconhecido. A educação primária foi feita entre 1932 e 1935, no Colégio Santo Antão. O ginásio foi feito entre 1936 e 1940 no Colégio Vitória. Em 1941 transfere-se para Recife e inicia sua atividade profissional como escriturário na secretaria do colégio. É dessa mesma época - nos jornais da capital - que aparecem as primeiras histórias do escritor ("Menino Mau","Fantasmas", etc.). Em 1943, por concurso, vai trabalhar no Banco do Brasil e, entre 1944 - 1946, realiza o curso de Finanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Recife. Entre 1947 e 1953 casa-se e tem 3 filhas: Litânia, Letícia e Ângela. Seu reconhecimento público veio com o livro "O Visitante" (1955). Em 1957 publica "Os Gestos" (contos) e "O Vale sem Sol"(teatro). Em 1960 conclui o curso de Dramaturgia na Universidade do Recife e, em seguida, vai para a Europa, através de uma bolsa de estudos oferecida pela Aliança Francesa. Nesse período (1961) sua peça teatral "Lisbela e o Prisioneiro" estreia no Rio de Janeiro e o romance "O Fiel e a Pedra" é publicado. Em 1963 publica "Marinheiro de Primeira Viagem" e, em 1966 publica os contos de "Nove, Novena" (livro considerado seu divisor de águas, quanto a sua poética) e, em 1973 aparece o exuberante "Avalovara". Seu último livro, "A Rainha dos Cárceres da Grécia", é publicado em 1976. O escritor falece dois anos depois, em 1978.

    31 Livros
    39 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Osman da Costa Lins