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    Transcendência do Mundo -

    Vicente Ferreira da Silva

    Realizações
    2012
    744 páginas
    1d 0h 48m
    ISBN-13: 9788588062993
    Português Brasileiro
    4.7
    3 avaliações
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    O volume intitulado Transcendência do Mundo ocupa um lugar central na nova edição das Obras Completas do filósofo Vicente Ferreira da Silva. Além dos temas já trabalhados, encontram-se aqui reunidos seus ensaios sobre religiões, arte, poesia e literatura, bem como suas teses extremamente originais sobre o pensamento mítico, ou seja, a fase mais madura de suas investigações. Refletindo a fase conhecida como mítico-aórgica, o filósofo se volta sobre a própria abertura desocultante do ser, que nos possibilita os diversos mundos possíveis. Dessa maneira, ocupa-se acima de tudo com as hierofanias que fornecem ao homem os diversos modos de aceder ao real e, por conseguinte, instauram os próprios regimes históricos no interior dos quais a humanidade desempenha suas potencialidades. No interior da temporalidade, as doações de sentido originais é que promovem os desempenhos pensáveis de tudo o que é ou pode ser pensado. As fascinações míticas é que produzem a abertura na qual a filosofia baliza os seus limites ou se ultrapassa a si mesma. Nesse sentido, a fenomenologia das formas assumidas pela filosofia é subordinada à anterioridade ontológica de suas hierofanias, ou seja, às modulações divinas de suas condições prévias de aparição, instauradas pelas aberturas míticas. Esse movimento, ao contrário do que se crê, nunca é retilíneo. Ora se dá como revelação de uma nova época humana, ora se desvia em direção à inautenticidade, quanto mais se distancia de suas matrizes instauradoras. Aqui já não estamos no domínio da filosofia da história e muito menos de uma história da filosofia, mas sim no coração de uma meta-história e nas regiões luminosas e meta-humanas que são a nascente e o fim do próprio pensamento.

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    4.7 / 3
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    Vicente Ferreira da Silva profile picture

    Vicente Ferreira da Silva

    Vicente Ferreira da Silva nasceu em São Paulo e formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, mas nunca exerceu a profissão, tendo-se dedicado inteiramente a vida acadêmica. Em 1933, aproximou-se do grande matemático italiano Fantappié, então professor em São Paulo. Torna-se logo um dos primeiros leitores dos Principia mathematica de Russel e Whitehead e com a publicação de seu primeiro livro, Elementos de Lógica Matemática torna-se o primeiro a publicar um livro sobre este assunto no país. Com a vinda, em 1942, do lógico Willard Van Orman Quine, da universidade de Harvard, Vicente é convidado para ser seu assistente. O contato com a filosofia alemã promove uma guinada em seu pensamento, que o aproxima cada vez mais das reflexões existenciais e conscienciológicas que tomam corpo em seu segundo livro, Ensaios Filosóficos (1948). Paralelamente, desenvolveu uma atividade importante que o aproxima da pedagogia filosófica de Ortega y Gasset: o jornalismo. Em 1949 representa o Brasil no Congresso de Filosofia de Mendonza, ao lado de Eugen Fink, Nicolau Abbagnano, Delfin Santos, além de exercer o cargo de diretor da divisão de Difusão Cultural da Reitoria da USP e de organizar os Seminários de Filosofia do Museu de Arte Moderna. Ainda neste ano funda, com Miguel Reale e outros intelectuais, o Instituto Brasileiro de Filosofia e, em seguida, a Revista Brasileira de Filosofia. Seu terceiro livro, Exegese da Ação, sai em 1950, ano em que finaliza um de seus mais importantes trabalhos Dialética das Consciências, onde expressa de modo definitivo sua fenomenologia da existência. Esta obra é apresentada na Faculdade de Filosofia da USP para o concurso de professor, mas sob o vão protesto de intelectuais, Vicente é impedido de concorrer ao cargo com o aviltante pretexto de não possuir diploma de Filosofia. Em 1951 publica Idéias para um novo conceito de homem, em 1953 Teologia e anti-humanismo e em 1954 colabora na organização do primeiro Congresso Internacional de Filosofia realizado no Brasil, nos quais se reúnem Enzo Paci, Julián Marías, Leopoldo Zea; Vicente é escolhido para fazer parte do Conselho Cientifico da coleção Rowohlts Deutsche Enzyklopaedie, ao lado de Mircea Eliade, Romano Guardini, Karl Kerényi, Robert Oppenheimer. Em 1955, funda em São Paulo, juntamente com sua esposa, a poetiza Dora Ferreira da Silva, e Milton Vargas a revista Diálogo, na qual publica seus ensaios mais importantes sobre Filosofia da arte e religião. Em 1963, morre prematuramente de acidente de automóvel aos 47 anos de idade.

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    São Paulo, Brasil

    Vicente Ferreira da Silva