A pesquisa realizada pela autora, exposta principalmente na parte inicial da obra, é bastante interessante. Como seu objetivo é destruir a ideia de amor romântico, ela vai mostrando aos poucos que o amor, tal como o conhecemos hoje, é uma construção social. Até aí, tudo bem é interessante saber que nossos sentimentos possuem uma história, inclusive porque assim os podemos compreender melhor.
Os problemas do livro começam quando a autora passa a defender que a única forma possível de romance é o poliamor (ainda que ela sempre se esquive de afirmá-lo diretamente, esta opinião está pressuposta em toda a argumentação). A escritora parece ser contrária à ideia de casal, contudo, dá exemplos de amor real, verdadeiro e profundo entre trios (recorrendo inclusive à simbologia do número 3 para comprovar esta tese). Assim, a contradição fundamental da obra é que o amor romântico acabou a menos que você esteja disposto a se abrir um pouco mais. Ora, se não existe amor romântico entre 2, como poderia existir entre 3 ou 20 pessoas? Se o objetivo da obra era eliminar o romance tal como o conhecemos e substituí-lo por relações mais leves (e levianas), a ambigüidade em torno ao conceito impede que o livro alcance sua meta.
A eliminação dos problemas em relações de poliamor também soa falsa. Se o amor romântico é uma construção social, fruto de séculos, conceitos como ciúmes e posse não desaparecem de um momento para o outro. Por fim, para quem tanto insiste em defender a diversidade, faltou acreditar na existência de casais que podem ser felizes com base no modelo convencional de relação. A tentativa da autora de impor o poliamor como único modelo possível é tão censurável quanto a imposição do amor romântico que ela condena.