O autor reconstrói com minúcia os acontecimentos do derradeiro ano de vida de Mozart, confrontando as diversas versões que, ao longo dos séculos, ajudaram a construir o mito em torno do compositor. O livro se destaca justamente por desmistificar narrativas falsas que ainda circulam entre os admiradores da música clássica, entre elas, a suposta rivalidade mortal entre Mozart e Antonio Salieri. Outro ponto alto da obra é a recuperação da figura de Constanze Mozart, esposa do compositor. Uma mulher forte, determinada e visionária, que teve papel decisivo na preservação do legado do marido. Se há um ponto fraco nesta edição, ele está na tradução descuidada, repleta de erros ortográficos e construções gramaticais equivocadas que comprometem, em parte, a experiência de leitura. É lamentável que uma obra de tamanha importância tenha passado por revisão tão falha. Apesar disso, a leitura é recompensadora. O autor não apenas ilumina os últimos meses de Mozart com novas evidências documentais, mas também oferece interpretações convincentes sobre sua causa mortis, suas condições financeiras e a verdadeira dimensão humana do gênio.
