Adiós, Baby -

    Juremir Machado da Silva

    Sulina
    2012
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-13: 9788520506448
    Português Brasileiro

    René Manhãs é um policial metódico, cartesiano, fracassado, leitor de Raymond Chandler e fã incondicional de Marlowe. No apagar das suas poucas luzes, tropeça com o cadáver que mudará a sua vida, dando-lhe, enfim, a oportunidade de resolver o "caso" da sua malfadada carreira. Em pouco tempo, graças ao destino e à sua vontade de fazer a prova das provas que acumula, desvenda uma extraordinária rede de tráfico internacional. Mas quem acreditará nele?

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    Denise Maria Souza João picture
    Denise Maria Souza João11/08/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O livro me surpreendeu, porque com esse título, eu não esperava nada de bom. Mas a escrita do autor é fluida, o que atrapalha é o excesso de linguagem caricata. Seja o protagonista, que é policial, seus colegas, os informantes, até os leões-de-chácara, todos têm tiradas jocosas, fazem analogias meio idiotas, parece que passam os dias ensaiando frases feitas. Na pág. 53, o autor meio que justifica a linguagem “engraçadinha” da narrativa: “Que merda, no entanto, era aquela que só o fazia encontrar tipos espirituosos, sempre com um chiste na ponta dos lábios?” Coisas como: “mais limpo que Omo total” “dá pra ver de Marte que o velhinho é tira. É mais visível que um outdoor na principal saída da cidade” “- (…) tiraram as medidas para um paletó de madeira, deram-lhe um passe livre para uma semana na geladeira do IML, saca? - ah, botaram um vírus letal no winchester dele.” “este sim tinha feito jus à música e morrido na contramão atrapalhando o tráfego” “me faça um download da situação, delegado” “… abrindo dois braços que deveriam ser protegidos pelo IBAMA como toras de madeira de lei roubadas da Amazônia”. etc. O final do capítulo 18, especialmente a cena descrita nas páginas 156/157 é sensacional! Eu entrei no clima e foi bem tenso. O curioso é que, de todos os livros que eu estava lendo e abandonei quando tive um bloqueio literário em 2021, este é o único que eu tive vontade de retomar, mesmo crendo que este não é o melhor dentre eles. Acredito que seja porque as situações retratadas aqui são muito diferentes das que se vê nos seriados e livros policiais norte-americanos que nos massificam e nos iludem quanto ao trabalho da polícia. No mínimo eu tive curiosidade de acompanhar esse policial ferrado e desprestigiado em sua investigação capenga. Achei o final um tanto confuso ou vai ver eu que não entendi, mas foi interessante ler um livro que eu não procuraria por mim mesma, uma troca meio no escuro e que me apresentou a um escritor brasileiro que eu não conhecia. Então valeu. SOBRE O AUTOR: Juremir Machado da Silva é gaúcho de Santana do Livramento, jornalista, escritor, radialista, ensaísta, tradutor e professor universitário. É graduado em História e Jornalismo pela PUCRS, doutorado e pós doutorado em sociologia pela Université Paris V - Sorbonne. Publicou mais de 30 livros, entre ficção, ensaio e tradução. Recebeu prêmios e condecorações, entre eles, o Prêmio da Bienal do Livro de Brasília, em 2014, por “Jango: a vida e a morte no exílio” e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 2018, por “Raízes do conservadorismo no Brasil”. NOTA: Adios, baby faz parte da trilogia Mitomanias, lançada pela Editora Sulina, que tem ainda Nau frágil e Ela nem disse adeus. Aparentemente, são histórias independentes. Fontes: TheBorbaCast, Grupo Editorial Record e Editora Sulina.

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