Como resenhar um livro que você gostou tanto e que você tem certeza que um resumo sobre o que você achou da leitura não irá ser suficiente para demonstrar o quanto gostou do livro, o quanto se envolveu nele e o quanto foi gratificante tê-lo lido?!
Mas enfim, logo quando li a sinopse de Charlotte Street pensei que seria mais um livro com um romance leve, divertido com seus clichês mas que iria me agradar por eu gostar de livros assim e por geralmente a leitura de romances leves serem muito bem fluidas e rápidas. Mas não foi exatamente assim.
Jason Priestley é um ex-namorado e um ex-professor que divide agora um apartamento com seu amigo, Dev um apaixonado (completamente, literalmente) por videogames, em cima da loja de videogames de Dev e ao lado de um edifício que todos acham que é um bordel, mas não é. Ele agora é freelancer de um jornal distribuído gratuitamente pelo metrô em Londres onde escreve resenhas e críticas de restaurantes e filmes horríveis. Num belo dia da sua rotina frequentando pubs, na Charlotte Streett ele a vê, ela atrapalhada cheia de pacotes e sacolas e ele a ajuda carregá-las, um olhar e um sorriso direcionado a ele e Jase se vê fascinado, planejando maneiras dos dois falarem-se por mais tempo originando um começo de uma história, mas o táxi parte e Jason percebe estar com algo em suas mãos, uma câmera descartável 35mm, dela.
E é assim que a estória começa, a partir daí conhecemos melhor Jason, através da sua própria narrativa sobre suas histórias, sobre sua 'não-superação' em relação à sua ex, Sarah, que ele descobre estar noiva agora, de Gary, sobre sua insatisfação com seu trabalho e suas poucas expectativas de um futuro brilhante e sobre seu amigo Dev, tão esquisitamente fissurado em videogames, o único que manteve depois de sua separação com Sarah.
Eu costumo sempre me identificar e gostar de personagens mais introspectivos, meio imaturos e principalmente confusos e Jason é assim, além do enigma dA garota de Charlotte Street, das fotos naquela câmera descartável que podem dizer tudo ou nada sobre ela, Jason tem problemas com a ex, com seu trabalho que não considera nada interessante, com sua forma nada otimista sobre esperança. Ele toma decisões erradas, no passado e no presente, ele tem 32 anos e está interessado em saber mais sobre uma garota totalmente desconhecida que viu na rua e que sorriu para ele. Ele pode ser considerado meio depressivo, mas é muito irônico e realmente tem uma mente parecida com a minha: Faz mil e uma conclusões e cogita várias possibilidades sobre algumas situações e pessoas.
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