Cândido ou o Otimismo (Clássicos de bolso) -

    Voltaire

    Ediouro
    1998
    125 páginas
    4h 10m
    ISBN-10: 8500807490
    Português Brasileiro

    François Marie Arouet, conhecido como Voltaire (1694-1778), nasceu e morreu em Paris. Descendente da pequena nobreza europeia, desde cedo destacou-se como brilhante pensador, tendo frequentado as melhores universidades do seu tempo. Com pouco mais de 20 anos já havia sido preso e exilado por ordem do regente Felipe de Orleans a quem havia dedicado panfletos satíricos e críticos. No seu exílio inglês escreveu as célebres Cartas inglesas ou Filosóficas. Sua obra é vasta, como longa foi a sua vida. Cândido ou o otimismo é a sua obra-prima, uma amostra de seu talento como escritor aliado à mordacidade, ironia e um certo cinismo que foi uma das marcas de sua convivência com os poderosos. "Guiado pela razão", como costumava dizer, Voltaire foi, segundo Roland Barthes, "o último escritor feliz". Seu derradeiro bilhete diz que "morria admirando os amigos, sem odiar os inimigos e detestando a superstição". Personalíssimo, o seu pensamento se enquadra dentro da tradição do humanismo e seus escritos certamente estimularam a liberalização das instituições e as reformas sociais.

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    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI15/12/2023Resenhou um livro
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    Eu, avesso de Pangloss

    Trata-se de mais uma releitura. Da leitura que fiz há décadas, pouco me lembrava. Lembro, que à época da leitura, achei algumas passagens hilárias. Nesta releitura achei uma obra bastante séria. Até o nome do protagonista: Cândido me sugeriu seriedade ( embora contenha um quê: de sarcasmo.) Se buscarmos no dicionário uma das definições de Cândido é puro, inocente. E como o Cândido de Voltaire era inocente! Acreditava sem a menor hesitação no mundo com lentes cor – de- rosa apregoado pelo seu querido mestre, um filósofo de nome Pangloss, que defendia o Otimismo como sistema filosófico, uma visão positiva e benévola do mundo e dos outros. Sem dúvida, o intento de Voltaire era o de ridicularizar esse pensamento, haja vista que não partilhava com tal otimismo. Entendo-o perfeitamente. Como o entendo...Ser otimista diante de terremotos, ser um otimista em um mundo palco de injustiças e violência, onde guerras matam de forma cruel milhares e milhares de seres humanos, reis corruptos insensíveis às necessidades de seus súditos é , na minha opinião, um tanto quanto insano. Mas, helloooo!!! Isso é nada mais, nada menos que um Déjà vu. Vou me abster de falar na sua Cunegundes ( Pri, Nanni, esse nome a faz lembrar de alguém?) Vou me abster de falar das famosas frases: "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis", por um preceito enigmático: "devemos cultivar nosso jardim." Quero,sim , me concentrar no Déjà vu. Um conto filosófico escrito em 1759, que espelha o nosso século XXI. Diante de tantas crueldades, fomes, inundações, Guerras, Atentados Terroristas, deparo-me diariamente com os Pangloss da vida. Meu WhatsApp fervilha diariamente com mensagens que nos querem fazer acreditar que vivemos em mundo onde predomina lentes cor -de -rosa, e como posso eu agir ou reagir diante desses Pangloss se eu estou mais para um Voltaire? Não. Não me entendam mal, por favor. Um abismo separa esta mera ledora do brilhantismo, ops! Iluminismo de Voltaire. Sou apenas alguém demasiadamente desencantada diante dos acontecimentos que presenciamos e das agruras que nos acometem.

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