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    A ignorância -

    Milan Kundera

    Companhia das Letras
    2002
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8535902325
    Português Brasileiro
    3.9
    432 avaliações
    Leram800Lendo32Querem752Relendo0Abandonos8Resenhas32
    Favoritos20Desejados752Avaliaram432

    Irena reencontra Josef por acaso no aeroporto de Paris. Ambos viajam de volta a Praga, reerguida segundo as regras capitalistas depois da queda dos regimes comunistas do Leste Europeu, em 1989. Em comum, eles têm uma história de exílio e um sentimento profundamente nostálgico em relação à paisagem tcheca. Neste romance sobre a memória, Milan Kundera subverte a noção de nostalgia. O escritor relembra a etimologia da palavra, que em sua origem grega remete ao "sofrimento causado pelo desejo irrealizado de retornar". Esse sentimento liga-se também à ignorância; só há nostalgia daquilo de que não temos mais notícia. Como afirma o narrador, "acaso" é um outro modo de dizer "destino". O fascínio que as coincidências e os pequenos retornos exercem é aquele da consciência do presente e de sua ligação com o passado. Na memória, os acasos se harmonizam e ganham beleza.

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    Lorena Miguel picture
    Lorena Miguel12/04/2010Resenhou um livro
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    Kundera em seu livro sobre o romance disse que não gostava que houvesse interpretação bibliográfica de uma obra. Contudo quando se trata de seus livros, é difícil não lembrar que ele é um exilado. A Ignorância é um livro que trata sobre a volta de dois exilados para o seu país após o fim do comunismo. Ninguém que passe por essa situação pode compreender totalmente o que Kundera fala, é como um europeu ler um livro sobre a constante insegurança de um carioca, ou um rico ler sobre a sensação de fome. Pode sentir e até compreender, mas nunca será de uma forma plena. Talvez isso faça qualquer um, me incluindo obviamente, a nunca compreender totalmente o que acontece nas páginas daquele livro. Obviamente que isso não faz perder a beleza que há no livro.Acompanhamos Irena, que morava vinte anos na França, e Josef, que casou na Dinamarca, de volta a Boêmia (como Kundera prefere chamar a República Tcheca). A sensação de não pertencimento a aquele lugar permeia a volta dos dois, que se conheceram brevemente no passado. É de se esperar que essa sensação seja estranha, afinal aquele é o país deles, mas logo Kundera mostra que isso não é natural. Como um hábito clássico do autor, ele vai explicar o que significa nostalgia, e a partir disso como esse sentimento é valorizado desde Homero, quando escreveu Odisséia. Novamente, não há como não lembrar que Kundera vira um cidadão francês após se exilar. Mas ao mesmo tempo em que há nos personagens um sentimento de não entender por que todos querem que eles voltem, eles sentem uma familiaridade com a língua, com a região e tudo traz lembrança do que abandonaram. Irena, que volta com o seu amante Gustaf que deseja permanecer no país, não se sente bem ali. Seus complexos com relação a mãe voltam, as amigas não se interessam pelo que aconteceu com ela nesse tempo e percebe como a sua relação com Gustaf está desgastada. Já Josef, que está viúvo, só passa pelo país por dias para rever a família e um amigo, que o ajudou a fugir. Embora os personagens tenham suas diferenças durante a passagem pelo país, algo acompanha os dois: o desinteresse dos outros no que aconteceu a eles enquanto estiveram fora. Todos querem contar o que aconteceu enquanto estiveram longe, de conhecidos ou de certo local. Contudo suas experiências são postas de longe, por que após competir para ver quem sofreu mais preferem ignorar o passado. Isso é extremamente real, quantos falavam sobre a época de exílio dos artistas brasileiros na ditadura? Um período que é considerado vergonhoso, é ignorado. Na doce ilusão de que podendo ignorar o passado, o evento não aconteceu realmente. Definitivamente o que mais me fascinou foi o capítulo 35, no qual ele fala sobre a memória. É fácil saber o porquê quando se sabe que minha monografia trata sobre a memória histórica então ver esse assunto em um dos meus autores favoritos é como natal (o que não é uma boa comemoração sendo que eu não ligo para a data, mas deixa para lá). Mas o que mais me atraiu sobre o assunto na abordagem desse livro foi quando ele fala que mantemos nossas relações em memórias diferentes. A memória que você guarda sobre uma pessoa não é a mesma que ela guarda sobre você. Também a importância que você dá não é a mesma que outro pode dar. Creio que as interpretações que cada um fazem sobre os acontecimentos é o que leva a cada um ser único. - - - - - - - http://depoisdaultimapagina.wordpress.com/

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    3.9 / 432
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas5%
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    Milan Kundera

    Milan Kundera é um autor tcheco. Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto. O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967. Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

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