Caramuru (Clássicos Universais) - Adaptação de Paula Adriana Ribeiro

    Santa Rita Durão

    RIDEEL
    2009
    32 páginas
    1h 4m
    ISBN-13: 9788533913110
    Português Brasileiro

    Integrado no espírito do classicismo pré-romântico, Frei Santa Rita Durão descreveu lendas e cenas do Brasil colônia, sua fauna e flora, seus índios e costumes. "Caramuru", sua única obra, de feição camoniana, tem importância histórica, graças ao sentimento nacionalista que inspirou às gerações. O poema épico é construído em dez cantos; seu tema é o descobrimento da Bahia. O autor conta a lenda de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, aventureiro português que, depois de naufragar nas costas da Bahia, teria conquistado a amizade dos indígenas graças à perplexidade causada por sua arma de fogo ao disparar contra uma ave. "Caramuru" é obra recomendada em várias faculdades e escolas do Brasil.

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    Luan Ferreira 24/11/2022Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Caramuru (1781) de Frei Santa Rita Durão é uma obra atrelada na historiografia literária ao arcadismo no Brasil. Escrita por entre a tradição de um poema épico (tendo como referência Camões), trata de Diogo Álvares Correia, um náufrago lusitano, transformado em líder dos indígenas tupinambás, na Bahia; e Paraguaçu, uma indígena catequizada e par romântico de Diogo, conhecido também por Caramuru (filho do trovão). De um viés bem colonizador, tomando o índio como selvagem, o cristianismo aqui é assumindo como instrumento de poder e de dominação tanto para a conversão dos indígenas em um ser "humano" como tomar as terras desse novo mundo. Aliás, o olhar colonizador é tanto que Paraguaçu é retratada como uma jovem de características brancas, assim como domina o idioma português (e muito bem pois torna-se a tradutora rs); outrossim, somente uma nativa com traços europeus atrai o protagonista, que lhe é fiel mesmo que várias outras mulheres indígenas queiram-lhe. Outras várias questões podem ser levantas nessa obra, permitindo discussões historiográficas e sociais do Brasil Colônia, como também serve para discutir a Literatura nacional em seus primórdios e a concepção de um poema épico aos moldes de Os Lusíadas. Por fim, uma leitura difícil e datada, mas que serve como base para entender e perceber o olhar colonizador e eurocêntrico para com os indígenas no Brasil Colônia.

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