"Mietta Santiago
loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz,
direito de votar e ser votada
para vereador, deputado, senador,
e até Presidente da República,
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?
O escândalo abafa a Mantiqueira,
faz tremerem os trilhos da Central
e acende no Bairro dos Funcionários,
melhor: na cidade inteira funcionária,
a suspeita de que Minas endoidece,
já endoideceu: o mundo acaba.
Ivone Guimarães, em Pitangui,
alcança igual triunfo. Salve, juízes
de Minas, impertérritos!
Amigo sou de Ivone e de Mietta,
Já vejo as duas, legislativamente,
Executivamente,
a sorte das mulheres resgatando.
As amadas-escravas se libertam
do jugo imemorial,
perdoam, confraternizam, viram gente
igual a nós, no mundo-irmão.
Façanha de duas mineirinhas.
Antônio Carlos, no Palácio do Governo,
bate palmas e diz: “Perfeitamente.”
Mas o Major Cançado, inconformado,
recorre da sentença.
Once já se viu mulher votar?
Mulher fumar,
mulher andar sozinha,
mulher agir, pensar por conta própria,
são artes do demônio, minha gente.
Major, ó seu Major,
Minas recuperada te agradece."
P.S. Ocorreu um fenômeno interessante quanto a esse poema na internet que nunca é possível encontrá-lo completo, apenas com as duas primeiras estrofes, cortando as irônica terceira parte destinada ao Cançado (parente da mineira Maura Lopes?). Ah, a ironia, aquela ingrata.