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    Está tudo bem, querido? -

    Morales

    Dublinense
    2012
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788562757778
    Português Brasileiro
    3.1
    8 avaliações
    Leram17Lendo1Querem6Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados6Avaliaram8

    Esqueça as firulas e os rodeios: o que Morales apresenta nestes contos é o poder da prosa seca, da dor intensa – a frustração debaixo do tapete da sala, o desânimo diante do desemprego e da pilha de louça suja. A apatia da rotina conjugal contrasta com uma fúria contida, algo que parece estar sempre pronto para explodir. Definitivamente, não está tudo bem.

    Resenhas (1)Ver mais
    Rosa Maria Santana picture
    Rosa Maria Santana24/04/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O homem e suas "Danações"!

    “ESTÁ TUDO BEM, QUERIDO?” - Ricardo Morales, Dublinense, 110 páginas Nas cento e dez páginas do livro se encontram dezesseis contos: curtos e de leitura rápida. Em todos, os personagens tem o mesmo nome. Sendo o marido desconfiado, o desempregado, o apático diante de um casamento desgastado, o menino que se inicia sexualmente, o doido que se sente preso entre as paredes do hospital - lá está ele: o Morales! O primeiro dos contos - Cilada Mortal - fala das tentativas de um filho contra o pai. Como todas elas são infrutíferas, o pai, incapaz de cair nas ciladas mortais que se lhe prepara (o filho/a vida) sai pelas páginas, constituindo-se, também, como linguagem, se fragmentando em diversos (personagens) para se constituir um (o autor). Achei muito coerente e inovadora essa construção, como se as partes – contos - formasse um corpo - o livro que, nesse sentido, é mais do que um conjunto de contos, já que estão costurados entre si, pelo personagem que perpassa todos eles! No posfácio - a que chama, muito apropriadamente de "Anagrama" - o autor se confessa um Jack Sparrow da literatura, saqueando ideias e palavras de Hemingway, Cortázar, Bioy Casares, Sabato e, um nome completamente novo para mim, o de Raymond Carver (que pretendo conhecer!) Além dessa pilhagem, continua ele e concordo eu, Morales funde estilos e encontra, via este "Está tudo bem, querido?", o seu próprio : o estilo seco, enxuto, que testemunha o homem moderno, perdido e emparedado entre os outros e para o qual, ou ‘quais’, NÃO está "tudo bem". Ele se junta a Carlos Nejar nessa ADVERTÊNCIA "Nada sou, nada tenho, senão o que me exime do veneno (...) Assim resisto Vivo explosivo, áspero mas vivo E sou o meu próprio alvo (...) O que sou é dar socos contra facas cotidianas E é pouco. In: Danações

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    Ricardo Morales

    É advogado-artesão que há algum tempo deixou de escrever somente peças processuais. Sem formação literária acadêmica, escreve contos - preferencialmente com temáticas urbanas, pois é um ser das cidades que não sabe viver sem respirar gás carbônico, sentir cheiro de gordura e comer xisburguer. Participou de diversas antologias e foi premiado em concursos de contos. Estudou Criação Literária com Charles Kiefer, Léa Masina e Luiz Antônio de Assis Brasil. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira na PUCRS.

    1 Livro
    1 Seguidor
    Porto Alegre, Brasil

    Ricardo Morales