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    A Tirania da Penitência - Ensaio Sobre o Masoquismo Ocidental

    Pascal Bruckner

    Difel
    2008
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788574320847
    Português Brasileiro
    3.5
    11 avaliações
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    Pascal Bruckner traça em 'A tirania da penitência' um ensaio sobre o masoquismo ocidental. Em um texto original e polêmico, o escritor francês (cujo romance Lua de fel foi adaptado para o cinema pelo diretor Roman Polanski), através de análises políticas, culturais e filosóficas, analisa de forma lúcida e surpreendente a tendência da Europa contemporânea a se comportar de forma autoflagelatória. "...Por trás do hedonismo proclamado, eis a mensagem que a filosofia ocidental nos martela há meio século, ela que pretende ser ao mesmo tempo uma palavra emancipadora e a má consciência de seu tempo. O que ela nos inocula, em matéria de ateísmo, é na verdade a velha noção do pecado original, o antigo veneno da danação. Em terra judaico-cristã, não existe combustível mais forte que o sentimento da falta, e quanto mais os filósofos e sociólogos se proclamam agnósticos, ateus, livre-pensadores, mais prolongam a crença que recusam. Como dizia Nietzsche, as ideologia laicas, em nome da humanidade, supercristianizaram o cristianismo e reforçaram sua mensagem." - Pascal Bruckner

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    V. L. picture
    V. L.03/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Polaridade Ocidental

    Obra crítica, com informações e opiniões sobre a atual acomodação européia (ciente de suas culpas passadas) diante das fanfarronices estadunidenses (orgulhoso de sua arrogância), e o fato de que as consequências destas atitudes são prejudiciais não só ao Ocidente.

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    Pascal Bruckner profile picture

    Pascal Bruckner

    é um escritor consagrado, com mais de 15 livros importantes publicados e traduzidos em vários países. Analista de temas de impacto no cotidiano das sociedades pós-modernas, hipermodernas ou da modernidade tardia, ele só poderia figurar na seleta lista de palestrantes do ciclo Fronteiras do Pensamento, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Bruckner fez parte do chamado grupo dos “novos filósofos", junto com Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann, uma turma de pensadores, “filhos de maio de 1968", que atacou o marxismo, o estruturalismo e os totalitarismos de esquerda e de direita num tempo em que as ditas utopias revolucionárias ainda incendiavam a imaginação de estudantes e de intelectuais dispostos a mudar o mundo. Um dos seus temas mais relevantes é o do culto à felicidade. Em A euforia perpétua, ensaio sobre o dever da felicidade (2002), ele investiu contra um dos pilares do senso comum pós-1968: o imperativo categórico, a obrigação de ser feliz, um imaginário que gera frustração e depressão. Essa perspectiva também é sustentada por outro filósofo francês, Gilles Lipovetsky, em A sociedade da decepção (2008), e pelo célebre romancista Michel Houellebecq em Extensão do domínio da luta (2002). Bruckner está em sintonia com o seu tempo e com a sua cultura. Se antes de 1968 as noções de dever e de sacrifício determinavam os comportamentos e produziam infelicidade, depois das revoltas estudantis que abalaram o mundo, impôs-se uma espécie de liberação total e de obrigação de satisfazer todos os desejos. A mídia passou a ter papel determinante na produção e consolidação dessa visão de mundo. Não ser feliz, conforme os padrões dominantes, tornou-se sinônimo de fracasso e de crise existencial. Bruckner usa a ficção e o ensaio para pensar sobre problemas contemporâneos. Não teme fazer uma ficção ensaística. Já ganhou importantes prêmios literários franceses como o Médicis (1995) e o Renaudot (1997). O que é a felicidade? Como encontrá-la? O que fazer com ela? Pascal Bruckner indica que as pessoas têm dificuldade para definir felicidade, o que as deixa confusas em relação ao que buscar, ficam apáticas depois de conquistar alguma das supostas marcas da felicidade e desenvolvem temores de todo tipo, tornando-se frágeis por medo de perder, de não estar à altura das expectativas sociais e por comparação com outras pessoas pretensamente mais felizes. A felicidade teria passado a ser um atestado de êxito na sociedade. Não ser feliz equivaleria a não ser bem-sucedido, a ser um fracassado. Outro tema recorrente de Pascal Bruckner é o amor. Em O Paradoxo Amoroso - Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa (2011), ele sustenta que os amantes de hoje sofrem por excesso e não por falta. Quando tudo se torna possível e permitido, diariamente estimulado, a rotina e o tédio espreitam cada romance. Como renovar a experiência afetiva num universo de esgotamento das relações pela banalização dos rituais, dos limites e dos sonhos? Michel Houellebecq fala na sexualidade como um sistema de hierarquia social. Não é incorreto sugerir que para Pascal Bruckner a felicidade é um sistema implacável de distinção social com forte influência da mídia e da indústria cultural, temas que têm sido estudados pelos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS nas suas investigações de estudos culturais, imaginário e espetacularização da sociedade. O professor Francisco Rüdiger, por exemplo, é autor de O amor na mídia – problemas de legitimação do romantismo tardio (2013), obra na qual aborda a procura incessante das pessoas pelo bem-estar orientado, essa era do terapêutico, do desenvolvimento pessoal, dos manuais de autoajuda e do culto ao corpo perfeito e da obrigação de realizar-se inteiramente. De maneira sutil, Pascal Bruckner relança uma velha questão: tudo na vida se tornou, como denunciava Guy Debord, mercadoria? A felicidade é um produto a ser comprado e consumido?

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