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    Os nomes -

    Benhur Bortolotto

    PROA
    2012
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788564318090
    Português Brasileiro
    4.4
    5 avaliações
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    Este livro reúne três contos - Em 'Para onde foram as crianças?', a protagonista, uma personagem sem gênero, passa a delirar sua vida com Lígia, dona de uma bolsa que encontra perdida no saguão de um cinema; 'Corre senão Jesus pega' é a história de um jovem estudante frustrado em seus relacionamentos afetivos e vivendo conflitos silenciosos com a família; Já em 'O filho secreto', mãe de dois filhos, vinda de uma família tradicional, a protagonista mantém em segredo uma gestação que lhe redimensiona a vida e também a morte.

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    Benhur Bortolotto06/08/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    OS NOMES, por Rafael Bán Jacobsen --

    As três narrativas que compõem Os nomes são singulares e, ao mesmo tempo, miméticas. Em Para onde foram as crianças?, Bortolotto lança a agudeza de sua prosa encharcada de poesia sobre um evento de aparência banal: uma personagem de vida regrada e previsível encontra uma bolsa esquecida em uma praça e a leva consigo para casa, a fim de devolver à dona. Porém, esse acontecimento faz com que a personagem experimente um inesperado rasgo na tessitura do dia-a-dia: ao mexer nos pertences ali contidos e vislumbrar o rosto de sua dona através da fotografia do documento de identidade, instala-se, em seu espírito, uma verdadeira obsessão em torno daquela mulher – Lígia –, uma torrente de fantasias sobre sua aparência, seus gostos, sua vida passada e sobre a (im)probabilidade de um futuro comum. A busca da personagem protagonista pela construção mental dessa realidade paralela, a realidade em que Lígia lhe habitaria a vida, surge como tentativa desesperada de transcender uma existência tranquila, talvez até feliz, mas carente de onirismo e pulsões. As horas em que Lígia permanece a seu lado esgarçam-se sob a força do delírio, preenchendo-se com as miudezas repletas de enlevo que constituem uma vida a dois e mitigando assim o isolamento psíquico dessa personagem vinda de uma “família de pessoas solitárias”, como se o imperativo do acaso fosse capaz de vencer a herança de uma aridez existencial. O protagonista de Corre senão Jesus pega, carente não apenas de um nome mas também de identidade, perambula entre o consultório de sua psicóloga (onde já experimenta o esgotamento das tentativas de se encontrar), o restaurante que ultimamente tem frequentado (onde se anuncia uma possível amizade com aquele rapaz de maxilar com formato estranho) e as ruas incertas que percorre no regrado treino de corridas que se impõe. E é nessas ruas que, de modo recorrente, vê-se acossado por um perseguidor tão obstinado quanto improvável, que vem a personificar a profunda inadequação do protagonista: o sentir-se alheio ao lar em que vive, à faculdade que cursa, à sexualidade que, mesmo refreada, lhe move os passos, à vida que é sua mas que o mantém assim, em perene deslocamento. Por fim, em O filho secreto, texto que subverte por completo o ordenamento temporal das ações e até mesmo suas relações de causa e consequência, passado e futuro, o autor realiza profunda imersão na alma feminina, com todas as suas contradições e idiossincrasias, explorando as dores cotidianas, os anseios e os medos de uma mulher rica e infeliz que não consegue jamais se sentir plena em seus relacionamentos com os homens e que, também por isso, voluntária ou involuntariamente (caberá ao leitor julgar), entrega-se à submissão e à servilidade que o mundo lhe impõe. Restam-lhe, como consolo, revisitar obstinadamente a própria infância (“remendada, inóspita, fictícia, especial, inventada”) e cuidar dos filhos que botou no mundo (buscando-lhes no colégio, comprando-lhes guloseimas) ao mesmo tempo em que sonha com um amor renovado (ou, pelo menos, com a fruição de uma carnalidade intensa, inédita) e acalenta o medo de uma nova armadilha preparada pelo seu próprio corpo, um tumor prestes a eclodir e vir à luz, como um filho secreto e tanatogênico. O texto de Benhur Bortolotto, arquitetado com sutilezas e articulado em linguagem poderosa de significados, flui com o ritmo próprio dos sonhos, quase em livre associação, alternando compassos de placidez e lirismo com trechos de contundente adensamento. As metáforas imprevisíveis, as ambiguidades calculadas, as sinestesias cheias de mistério, as ironias cindidas entre o amargor e a acidez – todos os recursos estilísticos são orquestrados para sustentar uma mirada peculiar sobre as pequenezas do mundo, as quais, sob a lente ficcional, como ocorre na obra dos grandes escritores, acabam por adquirir a asfixiante dimensão dos mitos. As narrativas, sempre desafiadoras, contemplativas, que tanto revelam quanto escondem, são um constante enigma, um emaranhado de símbolos a serem decifrados e que, nas poucas páginas ocupadas pelos enredos e nas poucas horas de suas cronologias, ousam encerrar pungentes verdades acerca da paixão enquanto fruto de idealização, da universalidade sem gênero dos amores e desse inevitável calabouço chamado solidão. Rafael Bán Jacobsen

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    Benhur Bortolotto

    Benhur Argenta Bortolotto (Uruguaiana, 12 de julho de 1987) é um editor e escritor brasileiro. Nasceu no Rio Grande do Sul, em Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde reside atualmente.

    2 Livros
    4 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Benhur Bortolotto