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    Homens Interessantes (Coleção Leste) - e Outras Histórias

    Nikolai Leskov

    Editora 34
    2012
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9788573624975
    Português Brasileiro
    4.2
    70 avaliações
    Leram106Lendo7Querem332Relendo0Abandonos0Resenhas6
    Favoritos3Desejados332Avaliaram70

    Definido por Tolstói como "escritor do futuro", chamado de "mestre" por ninguém menos que Tchekhov, apontado por Walter Benjamin como exemplo de narrador e considerado por Górki o mais autêntico dos escritores russos, Nikolai Leskov (1831-1895) e sua importante obra permaneceram, porém - talvez justamente por esta última característica -, menos conhecidos mundo afora do que seus pares. As sete histórias reunidas nesta coletânea, em esmerada tradução de Noé Oliveira Policarpo Polli, abarcam as principais facetas da produção do autor: o motivo natalino ("A Fera"), a figura do justo ("O Papão") e os contos desenvolvidos a partir de acontecimentos de sua época ("A Sentinela") - todas profundamente enraizadas no solo russo, em suas tradições, linguagens e figuras humanas. Arrematando o volume - a primeira reunião de contos de Leskov lançada no país, juntamente com A Fraude e Outras Histórias -, o leitor encontrará um alentado ensaio de autoria do tradutor, que, para além do recorte biográfico e interpretativo, versa sobre as peculiaridades do estilo leskoviano e os desafios de sua tradução.

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    Diego Rodrigues picture
    Diego Rodrigues14/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "As fontes da floresta ficariam desoladas, ao abandono, se delas fossem revocados os gênios postos ao seu pé pela fantasia popular"

    Nikolai Leskov foi um grande "tradutor" da linguagem russa falada para a escrita. Sua vivência no campo, as inúmeras viagens e o trabalho que desempenhou lidando com funcionários públicos e senhores de terras se revelaram uma fonte inesgotável de inspiração e recursos narrativos para o escritor. A burocracia das repartições públicas, as virtudes e as canalhices, o sofrimento e o gosto pela vodca, os costumes e as crendices populares, enfim, tudo o que concerne o espírito russo está fielmente retratado em sua obra. E é isso que vamos encontrar aqui. O volume em questão reúne sete narrativas publicadas originalmente em periódicos ao longo da década de 1880. Nem todas são o que se pode chamar exatamente de história curta, pois algumas delas passam da marca de setenta páginas. Mas, acredite, a leitura passa voando e ainda deixa um gostinho de quero mais. Como já mencionei, a narrativa de Leskov se assemelha muito a forma oral de se contar uma história e o resultado é uma prosa muito gostosa, como se o autor estivesse, despretensiosamente, nos contando causos (aliás, alguns contos foram realmente inspirados em fatos e histórias que o povo contava). E a ambientação deixa tudo ainda mais imersivo, principalmente nos contos que se passam no campo e que evocam o espírito do mujique russo, com todos os seus costumes, suas crendices, seus vícios e sua fala simples. Meus contos favoritos foram: "A sentinela", história de um soldado da Guarda Imperial que largou o seu posto para salvar uma pessoa que estava se afogando, mas deixar a guarita é considerada uma falta gravíssima nos rigores da lei e ele acaba sendo punido por seu ato heroico; "O papão", conto onde o narrador revisita suas memórias de infância, memórias essas recheadas de misticismo e figuras do folclore russo, centradas na figura do "feiticeiro", um velho estalajadeiro que amedrontava a vizinhança, mas no fim tudo não passava de crendice popular e preconceito; e por fim o conto que dá título ao livro, onde um grupo de escritores debate sobre a existência de "homens interessantes" nas camadas mais baixas e ordinárias da sociedade e para isso um deles recorre a um caso que envolve uma trupe de soldados, um roubo e um suicida. Leskov pode não ter o mesmo prestígio de outros gigantes da literatura russa, parte disso se deve ao fato de o escritor ter colecionado desafetos com ambas as ideologias que estavam em voga na sua época (conversadores x progressistas), ou seja, era um pensador que desagradava a "gregos e troianos". A forma como ele retratava a sua pátria logicamente não agradava nem um pouquinho ao tsar e, para completar o pacote, o autor rompeu com a Igreja Ortodoxa após atravessar uma crise espiritual, passando então a satirizar os dogmas religiosos (isso fica bem evidente no conto "O expele-diabo", aqui presente). Como resultado, teve pouco reconhecimento ainda em vida, apesar de ser muito celebrado pela geração seguinte de escritores russos. Mas, lendo sua obra, fica evidente que Leskov não deixa nada a desejar para seus conterrâneos mais famosos. Como diria Górki, talvez tenhamos aqui "o mais autêntico dos escritores russos". Não poderia deixar de falar sobre a edição da 34, que está impecável tanto da curadoria de contos, quanto na tradução e notas de Noé Oliveira Policarpo Polli, que também assina um posfácio riquíssimo de mais de quarenta páginas e que é uma verdadeira aula sobre o autor.

    15 curtidas

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    4.2 / 70
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    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas17%
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    Nikolai Semyonovich Leskov

    Escritor russo, conhecido por seus contos e novelas que abordam com perfeição a vida social da Rússia. Educado pela família da mãe (seu pai era padre ortodoxo), abandonou os estudos para ser funcionário público. Mais tarde, trocou o emprego por viagens, publicando, a partir de 1860, alguns estudos etnográficos. Mas iria projetar-se como romancista polêmico. Sem saída, sua obra de estréia na ficção, foi mal recebida pela crítica, que chegou a considerar o autor retrógrado. Seu romances eram de temática anti niilista, como Com as facas desembainhadas, de 1870 ou sobre o mundo religioso, como Gente da Igreja, de 1872, O anjo selado, de 1876 e Pequenos aspectos da vida arcebispal. Estes dois temas preferidos por Leskov foram fundidos em No limite do mundo. O tema do niilismo estava sendo ata

    13 Livros
    40 Seguidores
    Oryol, Rússia

    Nikolai Semyonovich Leskov