Ainda sob o efeito de "Alias", maravilhado com a descoberta do brilhantismo de Brian Bendis naquele roteiro e do que o selo MAX ainda poderia me trazer, arrisquei logo em seguida minha (quase) estreia com o xará de Bendis, Brian Azzarello, de quem eu só tinha lido uma edição de "100 Balas" há muito tempo e nem lembro de nada.
Sua minissérie em apenas cinco edições, focada no personagem Luke Cage (que aparecia bastante em "Alias" - daí veio meu interessa nesta HQ) é vigorosa e divertida. Fazendo um paralelo com o cinema, o clima é algo entre Martin Scorsese e Spike Lee, mas o enredo me lembrou mais "Yojimbo", do Kurosawa, por ser um mercenário que se vê envolvido numa briga de gangues e tenta tirar proveito (principalmente econômico) da situação.
Os personagens secundários são bons, principalmente a balconista coreana e o 'Martelo', embora numa HQ com essa duração relativamente curta, nem sobra margem para desenvolvê-los mais a fundo (e nem é a proposta aqui, de qualquer forma). Como obra 'pulp', Azzarello atende seu propósito. E é também um roteiro quase plenamente desprovido da parte 'fantasiosa' da Marvel, a não ser por vagas insinuações (levadas até o último quadro) sobre o protagonista ter ou não alguns poderes.
A arte de Richard Corben, o desenhista responsável, é razoável, embora exija um certo tempo pra se acostumar. Frequentemente me pareceu um traço muito parecido com o de Robert Crumb, o que fica esquisito, até meio cômico, pra uma HQ cujo propósito era ser mais 'descolada'. Seja como for, o saldo da leitura é francamente positivo.